13
Mai 11

ADOREI AS ALMAS!

Hoje dia 13 de Maio é dia dos PRETOS VELHOS na Umbanda! É dia de homenagear  e louvar aqueles que nos ajudam e orientam de tantas formas. Umbandistas de coração, hoje é dia de oferecer café e bolo de fubá, de agradecer ao invés de pedir!

 

O Terreiro Pai Oxalá e Mãe Iemanjá, fará amanhã sábado a sua homenagem em lugar próprio : No Congá! Entre o povo de Santo, crentes e filhos de fé. Desde já deixo aqui expresso meu amor, carinho e devoção por todos os avôs e avós , pretos e pretas velhas que descem em seus terreiros para trabalhar em seus "cavalos" , sessão após sessão, com rezas, mandingas, conselhos sábios e grande paciência para escutar tanto as lamentações e como as aflições verdadeiras dos que os procuram! Imaginem só , que depois de partir deste mundo e ao contrário daquilo que algumas religiões afirmam ser o descanso Celestial, as Almas, ou melhor as Santas Almas, enveredam por um caminho de trabalho intenso em prole da humanidade! Eles aceitam "descer" as suas vibrações para poder fazer passar as suas mensagens aos médiuns que se dispõem a recebe-los em condições e passam a escutar e a ajudar aqueles que buscam a sua ajuda. Muitos de nós , não teríamos a paciência de escutar um milésimo daquilo a que se sujeitam, pois a par de verdadeiro sofrimento e desorientação, surge muito impropério, raiva e outros sentimentos de baixa vibração que eles buscam mostrar ao filho sob uma perspectiva de evolução, orientando os impulsos destes de modo a poderem tirar o melhor partido da vida e de uma convivência pacifica, saudável e generosa. Procuram acima de tudo fazer ver o potencial que cada um tem dentro de si, se trabalhado com fé e com afinco, gerando pensamentos positivos, capaz de enfrentar dificuldades, inverter situações de perda e relançar a vida daqueles que têm ainda um Karma a cumprir neste mundo.

 

Agradeço ao Pai Joaquim de Angola que tanto me ajudou na minha vida numa fase complicada da minha vida e que constituiu o meu primeiro contacto com a Umbanda, agradeço a  Avó Cabinda que foi minha mestra por tudo o que me ensinou enquanto fui seu Cambono e tudo aquilo que continua a fazer por mim, e por todos nós e acima de tudo na protecção e direcção do Terreiro conjuntamente com as entidades dirigentes do mesmo. Agradeço ao Pai Chico das Almas que me escolheu para medium e que desejo humildemente poder continuar a servir da melhor forma. O meu carinho à Avó Catarina, Pai Joaquim da Aruanda, Pai Tomé, Pai João das matas, Rei Congo e Tia Maria que abençoaram o Terreiro Pai Oxalá e Mãe Iemanjá com sua presença constante, assim como a todos aqueles que nos visitam e nos honram com a sua presença em cada sessão. A todos eles agradeço em nome da casa a que pertenço a boa fundação que sustenta o nosso Terreiro e o magnífico trabalho que realizam.

 

A todos eles,

Adorei As Almas

 

Francisco de Ogum

Pai Pequeno

Terreiro Pai Oxalá Mãe Iemanjá

publicado por Terreiro Pai Oxala Mae Iemanja às 14:14 | comentar | ver comentários (1) | favorito
05
Jan 11

Caminhando

Caminhando...

 

Sempre que entramos num novo ano, muitos de nós, projectamos de certa forma o nosso caminho, seja em previsões, antecipações ou simples votos e promessas. Neste ano de 2011 eu desejo a todos um longo caminho! Um caminho de evolução, que espero, possa ser repleto de momentos de introspecção, ponderação e compassivo. De qualquer forma, mesmo que esse caminho se mostre mais acidentado do que à partida desejaríamos, estou certo que é o melhor caminho para o nosso crescimento. Por vezes o caminho é feito de dificuldade sem que nos apercebamos do real contributo que demos para que siga essa via... talvez essa resposta esteja numa outra vida... ou talvez não a queiramos ver nesta... ou quem sabe, estamos a ser afectados pelo todo ou seja pelo conjunto de almas com as quais partilhamos de alguma forma o caminho: família? Empresa? País? Mundo? Quem sabe?! De que forma conduzimos nossas expectativas de vida? Temos um tempo limitado em cada encarnação, para sermos inocentes, crescermos, descobrir-nos em todo o esplendor de nossa juventude, de nos entregar-mos e de crescer, produzir, etc. para além do óbvio escapa-nos por vezes o essencial: o tempo de evoluir. Como sabemos se estamos realmente a evoluir espiritualmente? Muitos caem na presunção das certezas vãs. Contudo, sabemos que temos que fazer o caminho, escolher um de entre vários e percorre-lo incessantemente. Seja qual for o caminho escolhido, deverás (digo a mim próprio) tornar-te progressivamente mais sensível ao mundo, desenvolver a tua empatia, viver e propiciar paz, procurar e difundir conhecimento, partilhar a tua consciência, fomentar a fraternidade, respeitar a diferença. Poderia continuar a indicar atributos de evolução, mas de que serviria se na maioria das vezes somos parciais na auto-análise? Tendemos a contextualizar as nossas faltas, a desculpar nossas intromissões, omissões e justificar as nossas ofensas, ou pelo menos a disfarçar o seu real alcance. Ao contrário, elevamos nossos sofrimentos ao altar da auto-piedade, colocando-nos à frente dos demais, exacerbando a falta de compreensão para com os nossos propósitos, palavras ou acções, enfim... estou certo que não devemos julgar a ninguém e duvido muito da capacidade de nos julgar a nós próprios pois invariavelmente cairemos na parcialidade. Enquanto seres viventes, estamos permanentemente limitados na consciência e na percepção e desta forma mostramos de uma forma mais autêntica o nosso âmago. Deus e os Orixás facultam-nos muitos recursos mas impõem esta limitação por certo com propósito. Na verdade, aquilo que um espírito carrega de uma vida para outra revela-se muito mais no inconsciente e no subconsciente e assim sendo, esta será a prova da autenticidade dos aprendizados a que nos propomos. Por este mesmo motivo, me envergonho de algumas exaltações, de umas tantas precipitações entre outros limites que reconheço manter, mesmo sabedor do impacto e do significado que têm no que se relaciona com o progresso espiritual. Tenho pois que instruir mais a minha mente e o meu coração, na bondade, na compaixão e na ponderação de modo a moldar melhor o meu "Eu" que se revela de quando em quando , menos do que já aconteceu em tempos, mas ainda assim muito mais do que seria de esperar por mim próprio. Não quero com isto fazer crer que nos devemos recriminar, pois cairíamos mais uma vez na auto comiseração e o que pretendemos é efectivamente prosseguir e para tal temos que perdoar as faltas cometidas, seja pelos demais seja por nós próprios sem que tal signifique uma fuga à responsabilidade! Por vezes, tendemos a  remoer acontecimentos marcantes, sejam causados por outros  sejam eles de alguma forma causados por nós e essas questões assumem ou podem assumir formas de vingança, raiva, ressentimento ou na melhor das hipóteses quando a consciência aperta, o remorso. Estes são sentimentos de extrema negatividade que acabam por atrair outros de igual magnitude. Temos que perdoar e pedir perdão, evitar a sua repetição e continuar o caminho do aprendizado. em ultima análise é errando que se aprende, se a humildade for nossa irmã e a segurarmos em nossos corações. A humildade permite-nos o aprendizado e o orgulho torna-nos estáticos, inflexíveis.  Votos para 2011?? sim.. que possamos todos continuar nesse caminho de evolução da única forma que conheço: caminhando.

 

Axé,

Francisco de Ogum

Pai Pequeno

Terreiro de Umbanda Pai Oxala Mãe Iemanjá

publicado por Terreiro Pai Oxala Mae Iemanja às 17:25 | comentar | favorito
28
Jun 10

XANGÔ

Saravá a todos os irmãos e curiosos que acompanham as actividades promovidas pelo Terreiro Pai Oxalá e Mãe Iemanjá !

 

No passado Sábado dia 26 de Junho de 2010, homenageámos Pai  Xangô e com ele todos os seus trabalhadores no Astral Superior.

 

Xangô é um dos Orixás maiores na Umbanda e um dos primeiros a chegar ao Brasil, havendo um sem número de casas e cultos a ele dedicados  e muito já foi escrito sobre Xangô, bem como sobre os sincretismos com os diversos "tipos" de Xangô, arquétipos dos seus filhos, comidas, etc. Não podemos no entanto esquecer que encontrando-nos nós em Portugal, devemos fazer chegar a nossa mensagem e informação um pouco mais direccionada àqueles que abordam esta religião com natural curiosidade, mas ainda pouco habituados ou familiarizados com os Orixás e o que, de  facto são. Pois bem, em primeiro lugar Orixá é na nossa forma de ver,  a Inteligência  ou Potência emanada de  Deus (Olurum ou Zambi ). No Inicio era o vazio, ou seja antes da existência do Universo no qual residimos existia apenas o vazio; depois os Orixás pela sua vontade criaram luz, massa e movimento numa grande explosão que impulsionou os primeiros elementos físicos a expandirem-se criando as Galáxias, os sistemas solares, planetas,  enfim o Universo. Eles residem num plano Espiritual, donde provém a tal matéria escura que antecedeu a constituição da matéria tal como a conhecemos e do universo. No acto criativo, ou formativo, os Orixás manifestaram-se tanto nos planos espirituais como materiais, estando eles na origem e constituição de todas as estruturas, todos os elementos, essências e manifestações. O ar, fogo, água terra e éter são na verdade elementos manifestos de suas vontades e logo aqui cada um deles imprime um cunho específico, influenciando e complementando-se numa teia intrincada que constitui o todo complexo que é a matéria e a vida! Efectivamente, os Orixás não são a natureza, mas eles manifestam-se na natureza! Eles são constituintes de tudo e chegam até nós de forma directa na manifestação espiritual através de insights de iluminação individual, através das forças elementais da natureza e também de forma mediada pelos espíritos ilustres dos Ancestrais que na Umbanda se revelam sob a forma de Caboclos, Crianças, Pais Velhos e outros. Xangô manifesta-se no reino natural através do elemento fogo enquanto criador e destruidor ; elemento fulcral para a formação do magma que possibilita a organização mineral que depois forma a litoesfera, ou seja a rocha! Firme, estruturado e imutável, excepto pelo fogo! Por isso o seu local vibracional na natureza  por excelência é a pedreira! Mas também o sincretizamos no raio que rasga os céus numa potência ígnea que queima e destrói implacavelmente na sua descarga sobre a terra. No plano espiritual este mesmo potencial está nas leis imutáveis que regem os espíritos: desde logo a lei que diz que existe uma consequência para cada acção, o Karma! Longe dos julgamentos de valor típicos das religiões clássicas ocidentais , desde logo a Cristã que bebeu o conceito de pecado e culpa dos hebreus. A lei de Xangõ é como aquelas leis da natureza que conhecemos tão bem. A lei da gravidade explica que todos os objectos possuidores de massa são atraídos para a Terra, tal como a maçã de Newton que haveria de dar tanto que falar. A lei do Karma afirma que todos os pensamentos, palavras e acções constituem manifestações no plano Astral e que têm como consequência a afectação de toda a realidade interdependente e por isso terá sempre um retorno. Imaginemos um lago sereno num dia sem vento com a superfície calma e regular como um espelho, sobre a qual atiramos uma pedra... formam-se ondas que partem do centro e que vão afectar toda a superfície levando a ondulação até à berma! Assim ocorre com as nossas acções, palavras e pensamentos que afectam desta forma em cadeia todos os que nos rodeiam mesmo que não consigamos vislumbrar como. As mesmas ondas irão até à berma até perder sua energia, mas ao encontrar uma barreira física, chocam e retornam em sentido contrario com força semelhante, é o retorno! Não se trata de pecado e culpa e sim de acção e consequencia. Outra lei essencial, é aquela que faz com que espíritos semelhantes se atraiam, criando verdadeiras egrégoras (entidade criada a partir do grupo) espirituais que gravitam em torno se pensamentos e sentimentos semelhantes, para uns o ódio, o ciúme, o orgulho mas para outros o amor, a compaixão, solidariedade! Cabe a cada um de nós escolher a que egrégora queremos pertencer e para tal apenas temos que mudar a forma como vibramos, que pensamentos e emoções repetimos, por forma a nos reunir aos nossos semelhantes espirituais, tanto encarnados como desencarnados. Nós seres humanos enquanto encarnados e limitados aos condicionalismos de uma existência física, apenas contactamos com a realidade de forma fraccionada, possuindo sómente perspectivas da realidade e nunca conseguimos vislumbrar a realidade como o todo e por isso mesmo fraccionamos a nossa concepção em pequenas porções com a finalidade de conseguirmos racionalizar as nossas percepções e por isso mesmo as nossas criações padecem dessa mesma limitação. Assim sendo,  a lei dos homens será sempre subjectiva e falível! No entanto, o simples desejo de harmonia e ordem, que está na base da necessidade de criação de todos os sistemas jurídicos criados pelo  Homem    são  em si mesmos uma expressão do nosso Eu Superior, aquela centelha divina que todas as Almas possuem e que clamam por valores mais elevados, embora não o façam de forma continua e constante pois o caminho que leva à exaltação dessa porção em cada um de nós tem de ser acarinhada e alimentada constantemente, para não sucumbir ao ambiente tendencioso e inquinado que constitui infelizmente as sociedades em que habitamos, uma vez mais por afinidade. Sim por afinidade, pois se nos encontramos aqui e agora neste mundo é porque ainda não conseguimos ultrapassar as nossas limitações. Por oposição à lei humana, a Lei de Xangô é implacável, ela actua sobre tudo e todos como o machado de dois gumes que transporta na iconografia yorubá, pois esse machado corta em duas direcções : quando vai e quando retorna! Acção e consequência ou Karma. A Pai Xangô pedimos que nos inspire de modo a sermos conscienciosos, precisos, metódicos, trabalhadores, simples, ordenados e amorosos. Desta forma podemos receber dele o Axé e a virtude que nos permitirá influenciar positivamente o mundo em que vivemos ainda que limitados à proporcionalidade da nossa condição, mas crentes que poderemos formar uma grande egrégora em nossos terreiros, na nossa cidade, no país em que vivemos e por fim no planeta, equilibrando as forças que o regem! Todos temos que contribuir e esta é a forma que encontro de poder tocar, assim espero a consciência de alguns, no meu percurso enquanto cidadão deste mundo.

 

Axé a todos, Kaô Cabecile

 

Francisco de Ogum

Pai Pequeno

Terreiro de Pai Oxala e Mãe Iemanjá - A Umbanda em Portugal

publicado por galileu às 15:50 | comentar | favorito

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