15
Dez 14

PRECE A OXALÁ


Pai Oxalá!

Nós vos evocamos e vos pedimos o fortalecimento de nossa fé e o despertar de nossa religiosidade.

Fazei com que busquemos, cada vez mais, os bons ensinamentos, sentimentos e atitudes que nos elevem e

nos conduzam à Luz do nosso Divino Criador.

Pedimos, Divino Pai Oxalá, a força, a coragem, a resignação e inspiração para que só pratiquemos o bem.

Sabemos como é difícil seguir a Vossa Senda, pois temos consciência das nossas fraquezas e das nossas

imperfeições. Entretanto, Sagrado Pai, nós nos esforçamos para sermos dignos de vossa bênção e de

vosso perdão.

Acrescenta-nos a fé inabalável, descortina-nos as raízes comuns da vida, a fim de compreendermos,

finalmente que somos irmãos uns dos outros.

Temos o coração chagado e os pés feridos na longa marcha, através das incompreensões que nos são

próprias, e nossa mente, por isto, aspira ao clima da verdadeira paz, com a mesma aflição por que o

viajante extenuado no deserto anseia por água pura.

Impeça-nos, Pai, de sucumbimos diante de provas elementares e regredirmos praticando atitudes

impensadas. Capacite-nos com a necessária humildade e compreensão para ajudarmos nossos irmãos

infelizes e infunde-nos o dom de nos ampararmos mutuamente.

Pedimos força, coragem, paz, amparo, saúde física e espiritual e o luzir de nossos espíritos com a

capacidade de amar e perdoar.

Ensina-nos a agir sem as algemas das paixões e a cultivar o campo das nossas almas. Conduze-nos aos

caminhos direitos, auxilia-nos a construir a nossa casa eterna. Compadece-te de nosso espírito frágil, abre

os nossos olhos e mostra-nos a estrada do teu Reino.

Sagrado Pai, livra-nos da submissão aos espíritos viciosos, embusteiros e obsessivos e para eles vos

rogamos a vossa misericórdia porque há sempre quem peça pelos perseguidos, mas raros se lembram

de auxiliar os perseguidores! Há muitos que rogam pelos fracos para que sejam, a tempo, socorridos, no

entanto, raríssimos corações imploram concurso divino para os fortes. Se salvas, em verdade, as vítimas

do mal, buscas, igualmente, os pecadores, os infiéis e os injustos. Teu amor é perfeito e infinito porque

amparas, na hora justa, os que causam a cegueira, a enfermidade e o desânimo!

Que cada um de nós se sinta fortalecido e ungido das vossas graças, agora e durante toda a nossa

passagem terrena.

Que a maldade não tenha forças e poder sobre nós e que qualquer ação levantada contra nós encontre a

vossa presença e se quebre em choque com as obras de luz e possam eles sentir-te o desvelado carinho,

porque também te amam e te buscam, inconscientemente, embora permaneçam supliciados no vale fundo

de sentimentos escuros e degradantes.

Sagrado Pai Oxalá, fortaleça-nos e proteja-nos com vosso escudo invisível do poder de Deus, mantendo-
nos unidos e permiti que caia o orvalho do vosso amor infinito sobre o nosso modesto Terreiro e nos

nossos lares.

Salve Oxalá, Luz da nossa Fé e regente da eternidade dos que vivem na Fé em Olorum!

autor : Rui de Omulu

Medium do Terreiro Pai Oxalá e Mãe Iemanjá

publicado por galileu às 18:02 | comentar | favorito
17
Dez 09

Dia 19 Louvamos Omulu e Oxalá

Saudações fraternas a todos os irmãos que seguem o nosso trabalho um pouco por todo o mundo. A internet pode de facto constituir um factor de aproximação e integração da nossa comunidade e possibilita o estreitar das distâncias físicas que nos separam.

Hoje pretendo tão-somente fazer uma introdução à sessão do próximo sábado dia 19 de Dezembro na qual comemoramos Omulu e Oxalá. Porquê então, louvar estes dois Orixás em simultâneo e logo na última sessão do ano de nosso terreiro? Bem, por um lado seguimos um calendário de comemorativo com grande influência do sincretismo com o catolicismo e onde surge dia 17 de Dezembro como dia de São Lázaro e onde o Natal de Jesus de Nazaré pontifica. Mas vamos mais além neste entendimento.

Omulu tal como os santos católicos que com ele foram sincretizados trazem-nos o mistério da morte, da passagem e da transformação do corpo físico. O Orixá Omulu é ainda referido por Obaloaê, pois na origem africana eram de facto distintos sendo este último apresentado como jovem senhor da Terra e o primeiro como o Velho senhor da doença e da morte. A umbanda juntou-os num pré-sincretismo já que ambos revelam faces de um mesmo mistério: A alquimia da vida e da morte! Senhor da Calunga-pequena, por ser este um local de depósito da matéria e das energias em desagregação no processo de decomposição, tem no entanto a dupla capacidade de "cura" e de morte! Tal como Lázaro se levantou dos mortos por intermédio de Jesus, também Omulú pode de facto restaurar a vida aos moribundos, se tal fizer parte de desígnios maiores! Calunga-pequena poderá considerar-se todo o local ou locais de depósito de restos funerários e estes variam consoante a geografia e a cultura em que nos encontramos, desde logo os cemitérios, mas também os fundos dos rios no caso das piras funerárias com o posterior lançamento de cinzas nestes cursos de água (Ganges na índia por exemplo) e por fim nos mares tal como o ritual que era executado pelos vikings. Também os hospitais vibram sob a égide de Omulu pois nestes se curam e perecem simultaneamente, milhares de seres humanos, diariamente em todo o mundo.   Na terra, tivemos origem e a ela nossa matéria retornará um dia. Omulu é ainda a argamassa que molda a existência física de modo a possibilitar um habitáculo para nossas almas; nas águas foi originada a vida, mas o caldo primevo que deu origem à vida era constituído por minerais (terra) e como elementos básicos, banhados pela luz solar como fonte energética bem como as emissões geotérmicas das profundezas, aliando energia, água e minerais! Os mesmos constituintes que são a base de toda a  existência biológica!

Mas o que tudo isto tem a ver com Oxalá? Tem tudo. Mas antes vamos recuar um pouco às culturas europeias, pré-cristãs e entender que sempre existiram rituais de passagem do solstício de inverno que ocorre à volta de 22 de Dezembro. No nosso hemisfério as estações são muito marcadas e se a primavera é o despontar da vida, o verão a maturidade, exuberância e abundância, o Outono marca o inicio da decadência que culminará no inverno símbolo de morte! A temperatura ambiente cai gradativamente desde Setembro, as árvores de folha caduca, que povoam em grande maioria o nosso continente, amarelecem e caiem e a vida recolhe ao interior dos seres, pois é necessário deixar cair o supérfluo de modo a resistir com todas as reservas de energia acumuladas do verão! Aparentemente tudo dorme e morre, mas a vida continua no interior dos seres. Nesta altura existe para todos os que são sensíveis, um clima de nostalgia e tristeza no ar que pode passar desapercebido quando nos deixamos embriagar na loucura do consumismo que todavia não consegue preencher o íntimo de nossos seres e por isso mesmo aprofunda o abismo em que muitos se deixam cair, sem esperança, sem calor humano, sem luz interior, não é possível sobreviver ao inverno de nossas vidas! As estatísticas mostram aliás uma taxa de suicídios mais alta que o comum precisamente neste época natalícia, em todo o velho continente; sinónimo de falta de esperança e de sentido de vida que os exercícios  de alegria artificial imposta pela sociedade mercantilista não conseguem iludir, a não ser àqueles que ainda crêem que o ter é mais importante que o ser. Entra-se  no inverno e sob influência de Saturno,   planeta regente da morte e da transformação. Jesus Cristo, o Cristo planetário, surgiu como um farol de amor e espiritualidade anunciando a esperança aos homens precisamente na entrada do inverno!

E aqui está precisamente a ligação que vos pretendia mostrar: Omulu senhor da Terra e da Morte reina nesta estação obrigando a uma selecção natural ao mesmo tempo que a luz de Oxalá brilha como um farol apontando a via da salvação! É obviamente uma época de reflexão interior, de recolhimento e de solidariedade. Talvez seja mais evidente este sentimento num continente que gela e aguarda o ressurgimento da vida. Cuidemos pois de nossa evolução espiritual, concentremos nossas energias naquilo que é essencial, fazendo como as árvores ou seja, deixando cair o supérfluo. Creio que  nos aproximamos também a nível civilizacional de um longo inverno que significará inevitavelmente a morte do que está velho e caduco, com proporções ainda indefinidas mas que devemos aproveitar para refundar as nossas sociedades em valores espirituais mais elevados!

Celebremos pois Senhor Omulú no seu rigor que separa o trigo do joio e louvemos simultaneamente Oxalá nosso rei e senhor que certamente continuará a iluminar nesta travessia que teremos forçosamente de cumprir.

 

Francisco d'Ogum

 Pai Pequeno

publicado por galileu às 19:38 | comentar | favorito
30
Mar 09

OXALA

   

    Mais uma vez saúdo a todos que nos acompanham nesta caminhada umbandista em terras lusas. Hoje  venho falar  um pouco sobre Oxalá: Orixá da fé, da Luz maior, da espiritualidade e do Amor de Deus. Este Orixá assume na Umbanda a posição de regente entre os demais já que tudo conflui afinal de contas para ele; a sua cor representativa é o branco, não só pela simbologia da cor com a ausência de mácula, mas também por ser esta cor uma súmula de todas as demais, o branco é aliás uma cor que reflecte a luz e por isso é utilizada em determinados ambientes de calor extremo na pintura das casas e nas vestes e curiosamente esse é um dos lemas da umbanda, que o seu hino espelha : " ... reflectiu a Luz Divina em todo o seu esplendor , veio do reino de Oxalá onde há paz e há amor...",  e essa a premissa do umbandista : não querer essa Luz só para si mas divulga-la e doá-la, expandindo-a cada vez mais.

 

Na África, cultuavam-se vários tipos ou qualidades  de cada Orixá e no caso de Oxalá evidenciam-se entre os demais: Oxaguiã e Oxalufã. Popularmente , nos cultos onde ainda continuam a ser veiculados, estas qualidades de Oxalá são também designadas por Oxalá novo e Oxalá velho! Por facilitar o sincretismo com Jesus de Nazaré, passou a ser evidente a conotação de Oxalá novo (OXAGUIÃ) com o menino Jesus e a proximidade do Natal e do Inverno, uma época em que a escuridão, a fome e o frio exige um forte espírito de família e solidariedade para ajudar a sobreviver aos rigores do tempo ; sendo Oxalá Velho (OXALUFÃ) sincretizado com Jesus ressuscitado, a Páscoa é também a saída do Inverno, entrada na Primavera que é no nosso hemisfério uma estação de promessa de vida., mas uma lembrança dos sacrifícios que todos tivemos que fazer para sobrevir , como que um aviso pelo retorno ao inverno no fim do ciclo, um sério aviso aos perigos do esbanjamento em tempos de fartura que se adivinham. A simbologia é efectivamente forte visto que a vinda do menino representa na herança dos cultos pré-cristão na Europa, o alento  que  nos ajuda  nos  tormentos que se advinham  em oposição ao fim deste período com a Páscoa  . Independentemente da geografia e cultos praticados, o humano na sua condição mais ancestral vivia de forma equilibrada respeitando a natureza vivendo-a em cada instante, local e manifestação como uma expressão divina. Uma vez perdida esta ligação sagrada a natureza, o homem perdeu-se num deslumbre pelo seu próprio poder e o poder tornou-se a conquista maior para os mais audazes! Perdeu-se paulatinamente o respeito pela natureza e pelo seu semelhante, em seu lugar foi muitas vezes alimentado o temor, de modo a controlar tudo e todos e assim perpetuar  o poder de alguns. Jesus surgiu como uma pedrada no charco ao encarnar no centro do mundo então dito civilizado! Contra a exploração, contra o abuso, pela liberdade, pela fé , pelo amor e pelo perdão! Fizeram-no pagar caro, mas ao ser transformado em mártir passou deter um poder ainda maior! Em seu nome muita destruição se fomentou de forma vil, assim mostra a história da humanidade. Hoje, tal como então continuam a chocar entre si as várias formas de culto, religiões, crenças e até seitas. Levará ainda muito tempo até que a sociedade humana consiga aceitar as diferenças, pelo menos se entendermos esta sociedade de uma forma global e não apenas circunscrita a um grupo de países ou continentes! Temo vivido no esbanjamento da nossa primavera e verão que nos pareciam não ter fim, num egoísmo que nos impedia ver que ao nosso lado outros passam pelo inverno de suas vidas! Agora que as sombras ameaçam mergulhar tudo e todos numa era de necessidade, olhamos desconfiados pois a maioria perdeu a solidariedade e o espírito de união que nos devia caracterizar, deixando-nos muito mais sós e amargurados perante a expectativa do tormento que se adivinha.Afinal a vida continua submetendo-nos aos seus ciclos. Só não vê quem não quer ver.

 

A libertação, do estágio evolutivo em que nos encontramos e que nos leva a aceitar a violência e a fome só ocorrerá efectivamente quando todas as almas forem livres e suficientemente iluminadas para tal! Até lá muitos necessitarão perder-se nos meandros do poder, da gula, da mentira...outros por outro lado virão como mártires, outros como catequizadores, almas abnegadas que se entregam em sucessivas encarnações para continuar uma missão nunca acabada: levar a luz onde ela ainda não chegou! A evolução do mundo, a nossa evolução,  depende tal como sempre dependeu destas duas forças opostas. A lei do Karma equilibra e submete a todos às duras provas do aprendizado feito entre vidas. Possamos nós entender melhor nosso pai Oxalá, seu amor infinito ! Que desta forma possamos evoluir e ajudar a evoluir todas as almas em nosso redor! Que Ele permita que encontremos o éden aqui neste mundo, com o respeito e amor entre todos os homens, mas também com o planeta que é e será nossa casa até ao fim de nossa missão, nesta e nas vidas que virão! Que possamos restabelecer o equilíbrio com a natureza e possamos recuperar o respeito por todos os espíritos que nela habitam, sejam eles humanos, animais, plantas ou outros. 

 

    O termo oxalá tem origens ainda pouco claros mas algum afirmam ter chegado a nós dos povos sarracenos e transformou-se na nossa lingua num expressão de esperança. É pois com esperança que me despeço,

 

Francisco d'Ogum

Pai Pequeno

 

publicado por galileu às 16:20 | comentar | favorito
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