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Abr 12

As consultas com Entidades, limites fisicos do medium

Saravá,

 

Desta feita, trago a vós um tema que nos é muito caro, pela pouca instrução nas coisas espirituais que os crentes, frequentadores e umbandistas em geral parecem ter, se torna importante esclarecer. As entidades com uma vibração Espiritual superior, ou sejas as comummente designadas por Entidades de Luz, pela sua condição existencial, já se distanciaram do mundo físico a um ponto tal que necessitam do auxilio do ectoplasma do medium que lhe dá passagem, para poder exercer a sua actividade em terra, sejam consultas, trabalhos, limpezas, etc. A utilização desta energia, é feita com cuidado para não deixar exausto o medium e ainda assim procuram os nossos protectores e guias , transferir da natureza muita da energia necessária ao médium de modo a auxiliar esta acção, com a colaboração de Elementais, Exus e outros trabalhadores do Astral que por se encontrarem em vibrações mais próximas da terra física , podem desta forma prestar esse auxilio. Contudo existem limites e quando o consulente ou trabalho em questão é de vibração particularmente baixa, acaba por cansar o físico do médium , deixando marcas de cansaço que pode inclusive impedir nalguns casos a prossecução do trabalho no médium.

 

Para evitar situações como estas, que não abonariam nada para o sucesso das comunicações espirituais e demais trabalhos desenvolvidos pelas nossas queridas Entidades, estabeleceram-se algumas normas em nossa casa, tendo em vista a saúde dos seus trabalhadores e qualidade das comunicações. É por essa razão que existe um limite de consultas por cada médium presente e é por isso mesmo que são distribuídas senhas de consulta de modo a não ultrapassar-se o limite desejável. É também por esse motivo que o tempo que cada consulente passa em frente a uma entidade é precioso, pois se no plano Astral o tempo não tem o mesmo significado que tem para nós encarnados e por esse motivo os cambonos têm instruções precisas dos líderes espirituais para auxiliar as Entidades em terra a delimitarem o tempo de cada consulta junto da Entidade e do próprio consulente.


Torna-se imperioso que todos entendam que estas regras e limitações são essenciais e que a não obediência das mesmas de forma reiterada demonstra por parte daqueles que o fazem  a sua natureza pouco solidária, o não respeito pelos mediuns enquanto irmãos abnegados que se colocam voluntariamente ao serviço e acima de tudo o desrespeito pelas Entidades  que sendo de facto ascensionadas, devolvem com amor carinho e benevolência os agravos cometidos com ou sem consciência daqueles que procuram auxiliar. É hora pois de acordar e pensar nos actos egoístas que todos os dias são praticados em todos os momentos de nossas vidas e procurar corrigir formas de estar e viver pois são estas em ultima análise que nos prendem nas vibrações rebaixadas de uma existência inferior e animal neste planeta ao invés de evoluirmos na consciência, amor e busca incessante de ascensão para um dia podermos seguir rumo tal como aqueles que agora nos auxiliam lá na Aruanda. Por ultimo relembro que todos nós temos graças na proporção que merecemos, vamos então procurar não desmerecer para poder receber?

 

Francisco de Ogum,

Pai Pequeno

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11
Jan 11

Ancestrais ilustres Portugueses na Umbanda.

A vossa bênção meu, Caboclo, benção meu Preto Velho...

 

A Umbanda assenta na premissa do poder da vontade Divina manifestada através dos Orixás na criação e manutenção dos espaços físicos e espirituais e simultaneamente reconhece, enaltece, preserva e fundamenta o Axé nas manifestações dos Orixás nos reinos naturais e espirituais (os Orixás não são a natureza mas manifestam-se nesta). Os altares naturais da terra são pontos de força destas manifestações poderosas: terra, agua, ar e fogo expressos nos oceanos, rios, florestas, campinas, pedreiras (montanhas, ravinas, etc) só para mencionar alguns. Na natureza buscamos limpeza e energia, saúde e regeneração e a ela devemos a vitalidade do Axé ou seja da manifestação vital. No entanto, a Umbanda exerce a sua actividade essencialmente no contacto com os planos espirituais, sendo que também aqui no campo do sobrenatural se expressa a vontade dos Orixás: através dos Ancestrais ilustres.

 

Ancestrais são então aqueles que nos precederam e ilustres por terem sido marcos importantes na evolução espiritual e por continuarem a ser veículos de transmissão dessa qualidade divina e da vontade dos nossos Orixás, fazendo eles a ponte para a transmissão do conhecimento, sendo Guias da humanidade na sua evolução espiritual, como decerto acontece noutras religiões ainda que obedecendo a outras apresentações e envolvências culturais (ver o exemplo dos apóstolos no Cristianismo e do profeta no Islamismo). Sendo a nossa religião originária do Brasil ainda que mesclando saberes e culturas de três continentes distintos (Américas, África e Europa), continua sendo no entanto marcada pela presença, exclusiva tanto quanto podemos perceber, de Entidades que se apresentam como ancestrais Ilustres do Brasil. O Caboclo, o Preto Velho, o Boiadeiro, entre outros são na realidade verdadeiros ícones do Povo Brasileiro na sua origem.

 

De tempos a tempos somos interpelados, quer pelo frequentador Português anónimo do Terreiro quer por irmãos de fé no Brasil, sobre a possibilidade da aparição de entidade de cunho Português, uma vez que se pratica esta religião continuamente no nosso país em diversos templos. Como resposta costumo dizer que desconheço se existe ou não alguma Entidade de cunho Português, actuando em algum terreiro mas acredito que existam espíritos com alguma encarnação anterior neste espaço a que chamamos Portugal a militar numa qualquer falange , eventualmente respondendo pelo nome de seu mentor, um Caboclo, Exu, Criança, etc.

 

Por um lado o espírito não tem fronteiras e as reencarnações obedecem a outros requisitos bem mais importantes para a evolução do Homem do que propriamente o espaço geográfico, linguístico ou cultural em que viveu. Por outro lado, a Umbanda está dando os primeiros passos fora do país em que nasceu. Temos ainda que reconhecer que os espíritos iluminados são na sua essência humildes e despem-se de individualizações que em nada iriam acrescentar às suas comunicações, como seja nacionalidade, profissão e status social; é óbvio que existem muitas escolas de evolução a que chamamos vulgarmente religiões e essa diversidade responde à necessidade dos povos, mas ao aderir a uma corrente ou escola, deve o espírito obedecer aos preceitos nela praticados, neste caso a identificação das entidades de acordo com os seus líderes e mentores. Temos necessariamente vários Caboclos da Lua, vários Pais Beneditos, sendo que todos eles militam numa corrente e numa linha , falange, sub-falange, etc, que responde como é óbvio ao primeiro e verdadeiro Caboclo, Preto-Velho, Boiadeiro, etc detentor desse nome. Por outro lado temos a questão do potencial simbólico transmitido pelo imaginário comum quanto se houve falar destes verdadeiros ícones de identificação de um povo. Tomando como exemplo o Caboclo, diria que ele é o Homem na sua acessão natural; em equilíbrio com o meio ambiente, conhecedor dos espíritos que habitam a natureza e exímio utilizador das plantas em banhos ritualisticos e de limpeza, defumações, detentor do conhecimento e do poder da cura pelas plantas, respeitador dos vários equilíbrios que se estabelecem nos ecossistemas que habita, etc. Se outrora foi considerado atrasado e sem civilização pelo homem branco dominante, tal como o s nossos queridos Pretos-Velhos escravizados e humilhados na sua qualidade humana, não é menos verdade caminhamos felizmente ainda que devagar para um verdadeiro reconhecimento destes povos , nos seus valores e culturas e entre aqueles que abraçam a espiritualidade , ou tão somente ecologistas convictos, cresce o respeito pelos conhecimentos ancestrais que possuem. Por outro lado, estes são símbolo ainda muito vivos e actuais, visto existirem ainda indígenas e por outro lado a escravatura acabou há muito mas na realidade subsistiram ainda situações pontuais de escravidão até ao século XX.

 

Se tentarmos encontrar ícones do Povo Português, recorremos quase sempre ao descobridor do século xv, que não abona a favor dos direitos humanos, quanto mais da evolução espiritual, pois tratou-se de um período de corrida aos tesouros de outros povos e continentes e mergulhou-nos na triste senda da escravidão; podemos ainda recorrer á raiz discutível deste povo já bastante mesclado por diversas raças (moçárabes, romanos, celtas, bárbaros do centro e leste europeu, cartagineses, etc) falo do povo Lusitano que era de facto bastante guerreiro e tinha ainda algumas práticas sanguinárias, tal como muitos daqueles que povoaram este espaço por milhares de anos antes de nós. Na verdade a história dos povos está repleta de vingança, sangue, ódio, enfim de um role interminável de situações históricas (inquisição na idade média ou sacrifícios humanos no período romano e pré romano, 2 guerras mundiais) que serviram para aprofundar o carma individual e colectivo destas nações. Veicular a ideia de optimismo é por si mesmo equivalente a remar contra a maré neste Velho mundo, cansado de uma história longa de destruição. Se falarmos no aspecto natural, podemos também verificar que exterminámos florestas, habitats inteiros empobrecendo essa mesma natureza em prol da agricultura e posteriormente da industria e assim reduzimos a quantidade de Axé que podemos usufruir das suas fontes como já referi. Claro que existem homens e mulheres bons, evoluídos e movimentos de progresso humano, mas o ambiente e a simbologia patentes nas diversas culturas europeias estão contaminadas por um passado de trevas.

 

Por tudo isto e porque a Umbanda se pratica por cá somente há cerca de 2 décadas (meia dúzia de anos de forma exposta e publica) creio ser ainda cedo para que se manifestem entidades de matriz cultural portuguesa ou europeia. Aguardo no entanto que tal suceda um dia, mas até lá verifico com agrado que aqueles que nos procuram, sendo na sua maioria portugueses, não sentem contudo qualquer barreira no contacto com as nossas queridas Entidades, nas suas exposições, escutando os seus conselhos e seguindo os seus ensinamentos, mostrando afinal que somos bem mais receptivos do que á primeira vista podemos parecer. Espero nesse sentido que Portugal possa servir de chão fértil para uma disseminação da religião por outras nações deste velho continente.

 

Saravá Umbanda,

 

Francisco de Ogum

Pai Pequeno

Terreiro de Umbanda Pai Oxalá e Mãe Iemanjá

publicado por Terreiro Pai Oxala Mae Iemanja às 17:11 | comentar | favorito

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