LUXO NA UMBANDA?NECESSIDADE ESPIRITUAL OU VAIDADE DO(S) MÉDIUM(NS)?

Hoje tomei  a liberdade de transcrever um trecho de um artigo do "Correio de Umbanda" por considerar o tema muito pertinente no panorama actual da Umbanda  em Portugal; uma realidade recente e no entanto extremamente mistificada pois tem sido importada uma determinada forma de estar que não é de todo exclusiva no Brasil! Por partilharmos de pontos de vista e de formas de estar nesta maravilhosa religião, nós no Terreiro Pai Oxalá e Mãe Iemanjá procuramos ensinar não só os mediuns mas toda a população que nos procura naquele que consideramos o verdadeiro espirito da Umbanda. Nos links do Blog passa a figurar também o endereço do site "POVO DA ARUANDA" onde encontram todas as edições do CORREIO DA UMBANDA em acrobat ! Gostaria muito que este mesmo texto tivesse eco entre os internautas umbandistas e deixassem seus comentarios para debate.

Passo a citar:

LUXO NA UMBANDA?

NECESSIDADE ESPIRITUAL OU VAIDADE DO(S) MÉDIUM(NS)?

Vamos refletir sobre: "necessidade x vaidade x humildade".

 

-Não está acontecendo um exagero de vaidade na Umbanda (não da religião, mas dos

adeptos)?

Entre muitos aspectos, podemos citar como exemplo a vestimenta e os paramentos:

quando o médium tem uma entidade ou outra que usa um apetrecho de trabalho (um chapéu,

um lenço, uma bengala ou mesmo outro elemento), nota-se que a necessidade desse material

é do guia, ou seja, aquele espírito usa o chapéu, o lenço etc. para realizar seu trabalho, dentro

do seu fundamento. Mas, quando TODAS as entidades que trabalham com o mesmo médium,

ou todas do mesmo terreiro (mesmo em médiuns diferentes) precisam se paramentar, não

seria mais coisa do(s) médium(ns), na maioria das vezes semi-consciente(s), do que do(s)

espírito(s) atuante(s)?

Na internet, revistas e jornais, podemos ver com facilidade, fotos em que o mesmo

médium (ou todos do terreiro), quando incorporado(s) apresenta(m)-se da seguinte forma: o

baiano está vestido de cangaceiro, com falangeiros de seu Zé Pelintra (não concordo com o

termo “linha de malandros”, usado pelos umbandistas mais novos) usa terno, bengala e

chapéu, o boiadeiro parece um capataz ou um coronel fazendeiro, o caboclo se veste imitando

um índio (já que o de modo geral, os artigos encontrados, como cocares, não são

genuinamente indígenas, e muitos não têm nenhuma semelhança aos paramentos que eram

utilizados pelos povos ancestrais de nosso continente, ou mesmo pelos índios atuais), o Ogum

veste roupa de soldado romano e tem uma linda espada (se possível, cravejada de brilhantes),

o erê traja roupas infantis (macacãozinho, vestidinho colorido etc), o cigano com vestes

características do povo (e lógico, quanto mais colorido, melhor), o Exu usa capa, tridente e

cartola, o marinheiro usa uma “farda” como se fosse um autêntico capitão da marinha

americana, etc. Isso quando não resolvem por um “trono” no meio do terreiro, colocando a

entidade numa posição de rei dentro da casa (já existem tronos especialmente confeccionados

para Exus e que são vendidos aos “olhos da cara” nas casas de artigos religiosos).

O que vocês acham? Será que existem mesmo médiuns ou casas onde TODAS as

Entidades atuantes precisam se paramentar?

Seria coincidência esses espíritos escolherem, todos ao mesmo tempo, esse médium ou

essa casa, para se paramentar?

Isso não seria contrário ao principal lema da Umbanda: “HUMILDADE e

SIMPLICIDADE”- tão ensinado pelos nossos sábios Pretos-Velhos?

A roupa branca (símbolo de igualdade), aos poucos estaria deixando de ser a FARDA

dos soldados do exército do Pai Oxalá, já que até em dias de giras comuns estão usando

roupas cada vez mais esplendorosas?

Será que festa de entidade ou orixá precisa mesmo desse luxo todo, deixando, às

vezes, um local sagrado como um templo umbandista mais parecido com uma ala de escola de

samba, onde todo mundo fica "fantasiado"?

Esse colorido todo não facilita a indução à mistificação, ou no mínimo, ao animismo, já

que o médium que gastou tanto dinheiro com toda essa parafernália, não vai querer deixar tudo

aquilo guardado?

Ou será que os guias, que sempre foram exemplos de humildade e simplicidade, é que

são (ou estão ficando) cada vez mais vaidosos (o que não acredito)?

Irmãos-de-fé, filhos da nossa amada Umbanda: apesar do respeito às diferenças, certas

questões poderiam e deveriam ser melhor estudadas ou revistas pelos seguidores do Mestre

Oxalá, afinal de contas, a Umbanda veio para dar espaço a todos os filhos do Pai Celestial,

principalmente aos simples e humildes (encarnados e desencarnados), muitas vezes não

aceitos em outros segmentos religiosos.

Com toda essa parafernália utilizada atualmente, como os mais necessitados se

encaixarão, já que muitos não podem comprar uma “roupa de Exu”, que muitas vezes, custa

mais do que eles ganham por um mês de trabalho?

Lembremos que o brilho que devemos mostrar não é no luxo da vestimenta, ou seja, o

lado externo, pois tudo isso é ilusório, já que roupa não tem força espiritual.

O que realmente importa é a essência divina que existe em cada um de nós, filhos de

Deus (encarnados e desencarnados). Esse brilho, que brota no âmago do ser é que deve ser

mostrado e melhor ainda, doado, a todos aqueles que necessitam. Isso sim agrada ao Pai, aos

orixás e seus Falangeiros de Luz.

SP. 19/01/2007

Sandro da Costa Mattos

APEU - Associação de Pesquisas Espirituais Ubatuba

Templo de Umbanda Branca do Caboclo Ubatuba.

www.apeu.rg.com.br

publicado por galileu às 21:44 | comentar | favorito
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