O trigo e o joio

Quem estiver atento à astrologia e seus trânsitos planetários, certamente compreenderá que obedecemos a ciclos, períodos de influência forte ou fraca que evidenciam alguns aspectos de nossas vidas e enfraquecem outros. Em cada ciclo que se sucede mudam os aspectos e as influencias e assim vamos sendo impulsionados nas nossas sensações e ímpetos de pensamento e discernimento, no fundo afectando a forma como percebemos o mundo, os outros e a nós próprios a cada momento. Não será pois difícil entender que as pessoas se movem por vezes não tanto baseados em convicções e certezas mas sim em impressões e sensações, especialmente se as personalidade desses indivíduos o permitir, ou por vezes  a falta desta. O Karma individual e acima deste o Karma colectivo de uma família, grupo ou nação, pode induzir em cada um o sentimento de desintegração ou inadequação. Por exemplo, sob determinadas influências e estando mais motivados pelos nossos próprios problemas e na forma como nos vemos, podemos depreender das palavras de alguém uma crítica que não nos era dirigida! Se a isso juntarmos uma falta de convicção ou por outras palavras, se duvidarmos de quem profere determinadas palavras, então estão lançadas as condições para um impacto no âmago do individuo! Como vai ser digerido este fenómeno? Depende de sua personalidade, mas também das pressões a que está sujeito, sejam elas originadas por impressões alheias ou por precipitação induzida no momento "astral" que o mesmo se encontra! Efectivamente a vida é uma grande viajem e ao contrário do que pensam  muitos, não somos o centro do universo! Na viajem que empreendemos depressa nos queremos certificar que o nosso caminho está livre e que podemos atingir os nossos fins, esquecendo-nos que estamos limitados pela estrada, caminho de ferro, outro qualquer... não podemos fazer nada se houver um descarrilamento!A carta astral de um individuo pode apontar-lhe um futuro brilhante mas se ou seu país entrar numa guerra inesperada, o individuo ficará sujeito às circunstâncias desse mesma guerra, podendo participar nela, adiando o seu propósito individual, pode ficar ferido ou até falecer! Não existirá certamente um motivo conspirativo ou demanda espiritual no seu cerne, nem tão pouco que alguém  por artes de algum acto de magia negra o tenha levado a esse facto! Da mesma forma, na nossa carruagem partilhamos muitas vezes o espaço com companheiros que a um determinado momento podemos chamar de amigos ou colegas por exemplo, mas inesperadamente chega o momento de um deles se apear por ter de seguir um caminho diferente... a forma como os nossos caminhos divergem podem ser diversas: transferência de emprego, casa, emigração ou até discussões e desacertos! A divergência e convergência de caminhos é constante. Pois é... havendo a pressão e o impulso superior de mudança e divergência, facilmente cedemos nalguns casos à precipitação de vontades contidas ou impulsos mal controlados e acabamos por seguir um caminho que já estava previamente determinado, mas que poderíamos ter seguido de uma forma diferente. A forma como atingimos os nossos objectivos, está muitas vezes à nossa descrição, ou seja pode ser de nossa escolha se o fazemos desta ou daquela forma. A maturidade ajuda-nos, no sentido em que acumulamos experiências que podem ajudar-nos a antecipar alguns comportamentos e assim podermos agir com maior discernimento e tranquilidade; essa maturidade depende também da vontade do individuo em melhorar-se a si mesmo, ter efectivamente a vontade de ser mais amoroso, colaborante, verdadeiro, fraterno e humilde. Se não existir a vontade de melhorar-se a si mesmo, não existirá maturidade nem progresso espiritual! Vejo e revejo muitas vezes os mesmos comportamentos repetitivos e cíclicos daqueles que se interessam com paixão e entrega aparente as grandes causas para depois saírem envoltos em atribulação e desapontamento, não enxergando todavia que buscam algo que nem eles sabem definir e que por algum motivo não o encontraram; qual paixão desenfreada, morre após o encanto inicial... no entanto, o individuo tenda justificar-se a si próprio pelo ocorrido e frequentemente vemos esses indivíduos a urdir teias de traição, jogos de ciúme e protagonismo para que de alguma forma tornem insustentável a continuidade da relação existente colocando-se assim a inevitabilidade de uma saída justificada. Não seria preferível assumir que não era o local ou a hora. Não era o que buscava e talvez não exista o que procura, pois não sabe o que pretende? Claro que sim. A divergência seria assim feita de uma forma mais serena. Por vezes o baixo astral não está no centro destes acontecimentos, mas tão somente à volta deles. Passo a explicar: O vampirismo de energias provenientes da desarmonia e da discussão é bem real e ocorre sempre que as vítimas se coloquem a jeito. Devemos separar realmente o trigo do joio, dentro de nós! Centrar-mo-nos e percebermos o que realmente nos motiva e agir em conformidade. Dizer não à intriga, à ambiguidade, à dissimulação e à vitimização! Sejamos corajosos nas nossas dúvidas e sérios nos propósitos, assumidos naquilo que somos e no que não sabemos de todo. Chega de hipocrisia que mina as relações e os indivíduos! Construamos uma sociedade nova! Hoje! Agora! É urgente.

 

Francisco de Ogum

Pai pequeno

Terreiro de Pai Oxala e Mãe Iemanja

publicado por galileu às 11:40 | comentar | favorito