Caminhando

Caminhando...

 

Sempre que entramos num novo ano, muitos de nós, projectamos de certa forma o nosso caminho, seja em previsões, antecipações ou simples votos e promessas. Neste ano de 2011 eu desejo a todos um longo caminho! Um caminho de evolução, que espero, possa ser repleto de momentos de introspecção, ponderação e compassivo. De qualquer forma, mesmo que esse caminho se mostre mais acidentado do que à partida desejaríamos, estou certo que é o melhor caminho para o nosso crescimento. Por vezes o caminho é feito de dificuldade sem que nos apercebamos do real contributo que demos para que siga essa via... talvez essa resposta esteja numa outra vida... ou talvez não a queiramos ver nesta... ou quem sabe, estamos a ser afectados pelo todo ou seja pelo conjunto de almas com as quais partilhamos de alguma forma o caminho: família? Empresa? País? Mundo? Quem sabe?! De que forma conduzimos nossas expectativas de vida? Temos um tempo limitado em cada encarnação, para sermos inocentes, crescermos, descobrir-nos em todo o esplendor de nossa juventude, de nos entregar-mos e de crescer, produzir, etc. para além do óbvio escapa-nos por vezes o essencial: o tempo de evoluir. Como sabemos se estamos realmente a evoluir espiritualmente? Muitos caem na presunção das certezas vãs. Contudo, sabemos que temos que fazer o caminho, escolher um de entre vários e percorre-lo incessantemente. Seja qual for o caminho escolhido, deverás (digo a mim próprio) tornar-te progressivamente mais sensível ao mundo, desenvolver a tua empatia, viver e propiciar paz, procurar e difundir conhecimento, partilhar a tua consciência, fomentar a fraternidade, respeitar a diferença. Poderia continuar a indicar atributos de evolução, mas de que serviria se na maioria das vezes somos parciais na auto-análise? Tendemos a contextualizar as nossas faltas, a desculpar nossas intromissões, omissões e justificar as nossas ofensas, ou pelo menos a disfarçar o seu real alcance. Ao contrário, elevamos nossos sofrimentos ao altar da auto-piedade, colocando-nos à frente dos demais, exacerbando a falta de compreensão para com os nossos propósitos, palavras ou acções, enfim... estou certo que não devemos julgar a ninguém e duvido muito da capacidade de nos julgar a nós próprios pois invariavelmente cairemos na parcialidade. Enquanto seres viventes, estamos permanentemente limitados na consciência e na percepção e desta forma mostramos de uma forma mais autêntica o nosso âmago. Deus e os Orixás facultam-nos muitos recursos mas impõem esta limitação por certo com propósito. Na verdade, aquilo que um espírito carrega de uma vida para outra revela-se muito mais no inconsciente e no subconsciente e assim sendo, esta será a prova da autenticidade dos aprendizados a que nos propomos. Por este mesmo motivo, me envergonho de algumas exaltações, de umas tantas precipitações entre outros limites que reconheço manter, mesmo sabedor do impacto e do significado que têm no que se relaciona com o progresso espiritual. Tenho pois que instruir mais a minha mente e o meu coração, na bondade, na compaixão e na ponderação de modo a moldar melhor o meu "Eu" que se revela de quando em quando , menos do que já aconteceu em tempos, mas ainda assim muito mais do que seria de esperar por mim próprio. Não quero com isto fazer crer que nos devemos recriminar, pois cairíamos mais uma vez na auto comiseração e o que pretendemos é efectivamente prosseguir e para tal temos que perdoar as faltas cometidas, seja pelos demais seja por nós próprios sem que tal signifique uma fuga à responsabilidade! Por vezes, tendemos a  remoer acontecimentos marcantes, sejam causados por outros  sejam eles de alguma forma causados por nós e essas questões assumem ou podem assumir formas de vingança, raiva, ressentimento ou na melhor das hipóteses quando a consciência aperta, o remorso. Estes são sentimentos de extrema negatividade que acabam por atrair outros de igual magnitude. Temos que perdoar e pedir perdão, evitar a sua repetição e continuar o caminho do aprendizado. em ultima análise é errando que se aprende, se a humildade for nossa irmã e a segurarmos em nossos corações. A humildade permite-nos o aprendizado e o orgulho torna-nos estáticos, inflexíveis.  Votos para 2011?? sim.. que possamos todos continuar nesse caminho de evolução da única forma que conheço: caminhando.

 

Axé,

Francisco de Ogum

Pai Pequeno

Terreiro de Umbanda Pai Oxala Mãe Iemanjá

publicado por Terreiro Pai Oxala Mae Iemanja às 17:25 | comentar | favorito