01
Ago 11

Iemanjá

Odoya Iemanja!

 

No próximo dia 15 louvamos mãe Iemanjá, nossa mãe protectora! Por força de calendário faremos a sessão comemorativa dia 13 no Terreiro e posteriormente entregamos no mar as oferendas devidas.

 

Iemanjá é sem duvida um dos Orixás mais populares no Brasil a par de Ogum e Oxossi e atrevo-me a dizer que é sem comparação possível o Orixá mais conhecido em Portugal; em grande parte pela ligação física, histórica, psíquica e emocional que temos enquanto povo a esse mar imenso. A lenda africana diz que o mar sugiu das lagrimas salgadas de Iemanjá! Já Fernando Pessoa dizia.. " Ó Mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal..."

 

Iemanjá, é a Senhora da Vida  a par com Oxalá. Da confluencia do meio liquido salgado e da luz surgiram as primeiras formas de vida monocelulares, evoluindo sistemáticamente para formas de vida cada vez mais complexas. As entidades que trabalham sob a vibração original de Iemanjá são na sua maioria provenientes de pátrias siderais distantes tal como as de Oxalá e Yori, tendo uns reencarnado no inicio dos tempos deste nosso planeta enquanto outros se ficaram pelo plano Astral, providenciando a partir daí o seu auxílio. São poucas as entidades de grau de Guia da linha de Yemanjá que costumam "baixar"  em seus aparelhos, preferindo a actuação mediúnica de vidência, clarividência e outras  para fazer passar suas mensagens. São normalmente entidades de grau de Protector as que costumam "incorporar" e frequentemente baixam em linhas de interacção de outros Orixás actuando de forma cruzada, por exemplo caboclos e caboclas de Oxossi que actuam junto das águas.

 

Falando nas qualidades que confere aos humanos  a precisosa influencia de Iemanjá, teremos que falar no amor, no carinho e no sentimento de protecção para com os que nos são queridos. Iemanjá é de facto o amor responsável, tal como uma mãe que tem de  contrariar seu ímpeto e corrigir os comportamentos dos filhos com severidade pois seu amor leva-a mais longe no tempo e alcança as consequencias para o futuro do aprendizado que seus filhos fazem  no presente. Iemanjá ama não só os seus filhos mas todos os que dela necessitam, disso mesmo nos falam tantas e marivlhosas lendas africanas! Ela protege a todos e ama a todos mas não contemporiza com injustiças e neste campo,  mãe Iemanjá tem no seu elemento fisico-natural primoridal que é o mar, a barreira que rompe todas as magias de baixo astral! Suas águas neutralizam desde sempre os excessos produzidos em terra de forma natural permitindo a regeneração do ar e das aguas mas também no campo astral dos elementos mais densos das emoções e pensamentos dos espiritos encarnados. Hoje sabe-se que o equilibrio da vida na terra depende do saúde do mar pois ele é verdadeiramento o factor que determinará a evolução da vida neste planeta.

 

Vamos saudar nossa Mãe Iemanjá e rogar às entidades dessa vibração Original que regem o nosso mundo físico, que ajudem também a humanidade a alcançar a visão e as consequências futuras de nossos actos! Que nos ajudem a sentir o amor, e a compaixão por todos os seres vivos e que possamos alcançar o equilibrio emocional de forma a podermos atingir a maturidade civilizacional e assim podermos mergulhar efectivamente numa nova Era, mais promissora e fecunda para evolução de todos os espíritos presos ao ciclo das reencarnações!

 

Odoyá Mãe Iemanjá

 

Francisco de Ogum

Pai Pequeno no Terreiro Pai Oxalá e Mãe Iemanjá

Terreiro de Pai Oxala e Mãe Iemanjá

publicado por galileu às 14:15editado por Terreiro Pai Oxala Mae Iemanja às 13:24 | comentar
13
Mai 11

ADOREI AS ALMAS!

Hoje dia 13 de Maio é dia dos PRETOS VELHOS na Umbanda! É dia de homenagear  e louvar aqueles que nos ajudam e orientam de tantas formas. Umbandistas de coração, hoje é dia de oferecer café e bolo de fubá, de agradecer ao invés de pedir!

 

O Terreiro Pai Oxalá e Mãe Iemanjá, fará amanhã sábado a sua homenagem em lugar próprio : No Congá! Entre o povo de Santo, crentes e filhos de fé. Desde já deixo aqui expresso meu amor, carinho e devoção por todos os avôs e avós , pretos e pretas velhas que descem em seus terreiros para trabalhar em seus "cavalos" , sessão após sessão, com rezas, mandingas, conselhos sábios e grande paciência para escutar tanto as lamentações e como as aflições verdadeiras dos que os procuram! Imaginem só , que depois de partir deste mundo e ao contrário daquilo que algumas religiões afirmam ser o descanso Celestial, as Almas, ou melhor as Santas Almas, enveredam por um caminho de trabalho intenso em prole da humanidade! Eles aceitam "descer" as suas vibrações para poder fazer passar as suas mensagens aos médiuns que se dispõem a recebe-los em condições e passam a escutar e a ajudar aqueles que buscam a sua ajuda. Muitos de nós , não teríamos a paciência de escutar um milésimo daquilo a que se sujeitam, pois a par de verdadeiro sofrimento e desorientação, surge muito impropério, raiva e outros sentimentos de baixa vibração que eles buscam mostrar ao filho sob uma perspectiva de evolução, orientando os impulsos destes de modo a poderem tirar o melhor partido da vida e de uma convivência pacifica, saudável e generosa. Procuram acima de tudo fazer ver o potencial que cada um tem dentro de si, se trabalhado com fé e com afinco, gerando pensamentos positivos, capaz de enfrentar dificuldades, inverter situações de perda e relançar a vida daqueles que têm ainda um Karma a cumprir neste mundo.

 

Agradeço ao Pai Joaquim de Angola que tanto me ajudou na minha vida numa fase complicada da minha vida e que constituiu o meu primeiro contacto com a Umbanda, agradeço a  Avó Cabinda que foi minha mestra por tudo o que me ensinou enquanto fui seu Cambono e tudo aquilo que continua a fazer por mim, e por todos nós e acima de tudo na protecção e direcção do Terreiro conjuntamente com as entidades dirigentes do mesmo. Agradeço ao Pai Chico das Almas que me escolheu para medium e que desejo humildemente poder continuar a servir da melhor forma. O meu carinho à Avó Catarina, Pai Joaquim da Aruanda, Pai Tomé, Pai João das matas, Rei Congo e Tia Maria que abençoaram o Terreiro Pai Oxalá e Mãe Iemanjá com sua presença constante, assim como a todos aqueles que nos visitam e nos honram com a sua presença em cada sessão. A todos eles agradeço em nome da casa a que pertenço a boa fundação que sustenta o nosso Terreiro e o magnífico trabalho que realizam.

 

A todos eles,

Adorei As Almas

 

Francisco de Ogum

Pai Pequeno

Terreiro Pai Oxalá Mãe Iemanjá

publicado por Terreiro Pai Oxala Mae Iemanja às 14:14 | comentar | ver comentários (1)
11
Jan 11

Ancestrais ilustres Portugueses na Umbanda.

A vossa bênção meu, Caboclo, benção meu Preto Velho...

 

A Umbanda assenta na premissa do poder da vontade Divina manifestada através dos Orixás na criação e manutenção dos espaços físicos e espirituais e simultaneamente reconhece, enaltece, preserva e fundamenta o Axé nas manifestações dos Orixás nos reinos naturais e espirituais (os Orixás não são a natureza mas manifestam-se nesta). Os altares naturais da terra são pontos de força destas manifestações poderosas: terra, agua, ar e fogo expressos nos oceanos, rios, florestas, campinas, pedreiras (montanhas, ravinas, etc) só para mencionar alguns. Na natureza buscamos limpeza e energia, saúde e regeneração e a ela devemos a vitalidade do Axé ou seja da manifestação vital. No entanto, a Umbanda exerce a sua actividade essencialmente no contacto com os planos espirituais, sendo que também aqui no campo do sobrenatural se expressa a vontade dos Orixás: através dos Ancestrais ilustres.

 

Ancestrais são então aqueles que nos precederam e ilustres por terem sido marcos importantes na evolução espiritual e por continuarem a ser veículos de transmissão dessa qualidade divina e da vontade dos nossos Orixás, fazendo eles a ponte para a transmissão do conhecimento, sendo Guias da humanidade na sua evolução espiritual, como decerto acontece noutras religiões ainda que obedecendo a outras apresentações e envolvências culturais (ver o exemplo dos apóstolos no Cristianismo e do profeta no Islamismo). Sendo a nossa religião originária do Brasil ainda que mesclando saberes e culturas de três continentes distintos (Américas, África e Europa), continua sendo no entanto marcada pela presença, exclusiva tanto quanto podemos perceber, de Entidades que se apresentam como ancestrais Ilustres do Brasil. O Caboclo, o Preto Velho, o Boiadeiro, entre outros são na realidade verdadeiros ícones do Povo Brasileiro na sua origem.

 

De tempos a tempos somos interpelados, quer pelo frequentador Português anónimo do Terreiro quer por irmãos de fé no Brasil, sobre a possibilidade da aparição de entidade de cunho Português, uma vez que se pratica esta religião continuamente no nosso país em diversos templos. Como resposta costumo dizer que desconheço se existe ou não alguma Entidade de cunho Português, actuando em algum terreiro mas acredito que existam espíritos com alguma encarnação anterior neste espaço a que chamamos Portugal a militar numa qualquer falange , eventualmente respondendo pelo nome de seu mentor, um Caboclo, Exu, Criança, etc.

 

Por um lado o espírito não tem fronteiras e as reencarnações obedecem a outros requisitos bem mais importantes para a evolução do Homem do que propriamente o espaço geográfico, linguístico ou cultural em que viveu. Por outro lado, a Umbanda está dando os primeiros passos fora do país em que nasceu. Temos ainda que reconhecer que os espíritos iluminados são na sua essência humildes e despem-se de individualizações que em nada iriam acrescentar às suas comunicações, como seja nacionalidade, profissão e status social; é óbvio que existem muitas escolas de evolução a que chamamos vulgarmente religiões e essa diversidade responde à necessidade dos povos, mas ao aderir a uma corrente ou escola, deve o espírito obedecer aos preceitos nela praticados, neste caso a identificação das entidades de acordo com os seus líderes e mentores. Temos necessariamente vários Caboclos da Lua, vários Pais Beneditos, sendo que todos eles militam numa corrente e numa linha , falange, sub-falange, etc, que responde como é óbvio ao primeiro e verdadeiro Caboclo, Preto-Velho, Boiadeiro, etc detentor desse nome. Por outro lado temos a questão do potencial simbólico transmitido pelo imaginário comum quanto se houve falar destes verdadeiros ícones de identificação de um povo. Tomando como exemplo o Caboclo, diria que ele é o Homem na sua acessão natural; em equilíbrio com o meio ambiente, conhecedor dos espíritos que habitam a natureza e exímio utilizador das plantas em banhos ritualisticos e de limpeza, defumações, detentor do conhecimento e do poder da cura pelas plantas, respeitador dos vários equilíbrios que se estabelecem nos ecossistemas que habita, etc. Se outrora foi considerado atrasado e sem civilização pelo homem branco dominante, tal como o s nossos queridos Pretos-Velhos escravizados e humilhados na sua qualidade humana, não é menos verdade caminhamos felizmente ainda que devagar para um verdadeiro reconhecimento destes povos , nos seus valores e culturas e entre aqueles que abraçam a espiritualidade , ou tão somente ecologistas convictos, cresce o respeito pelos conhecimentos ancestrais que possuem. Por outro lado, estes são símbolo ainda muito vivos e actuais, visto existirem ainda indígenas e por outro lado a escravatura acabou há muito mas na realidade subsistiram ainda situações pontuais de escravidão até ao século XX.

 

Se tentarmos encontrar ícones do Povo Português, recorremos quase sempre ao descobridor do século xv, que não abona a favor dos direitos humanos, quanto mais da evolução espiritual, pois tratou-se de um período de corrida aos tesouros de outros povos e continentes e mergulhou-nos na triste senda da escravidão; podemos ainda recorrer á raiz discutível deste povo já bastante mesclado por diversas raças (moçárabes, romanos, celtas, bárbaros do centro e leste europeu, cartagineses, etc) falo do povo Lusitano que era de facto bastante guerreiro e tinha ainda algumas práticas sanguinárias, tal como muitos daqueles que povoaram este espaço por milhares de anos antes de nós. Na verdade a história dos povos está repleta de vingança, sangue, ódio, enfim de um role interminável de situações históricas (inquisição na idade média ou sacrifícios humanos no período romano e pré romano, 2 guerras mundiais) que serviram para aprofundar o carma individual e colectivo destas nações. Veicular a ideia de optimismo é por si mesmo equivalente a remar contra a maré neste Velho mundo, cansado de uma história longa de destruição. Se falarmos no aspecto natural, podemos também verificar que exterminámos florestas, habitats inteiros empobrecendo essa mesma natureza em prol da agricultura e posteriormente da industria e assim reduzimos a quantidade de Axé que podemos usufruir das suas fontes como já referi. Claro que existem homens e mulheres bons, evoluídos e movimentos de progresso humano, mas o ambiente e a simbologia patentes nas diversas culturas europeias estão contaminadas por um passado de trevas.

 

Por tudo isto e porque a Umbanda se pratica por cá somente há cerca de 2 décadas (meia dúzia de anos de forma exposta e publica) creio ser ainda cedo para que se manifestem entidades de matriz cultural portuguesa ou europeia. Aguardo no entanto que tal suceda um dia, mas até lá verifico com agrado que aqueles que nos procuram, sendo na sua maioria portugueses, não sentem contudo qualquer barreira no contacto com as nossas queridas Entidades, nas suas exposições, escutando os seus conselhos e seguindo os seus ensinamentos, mostrando afinal que somos bem mais receptivos do que á primeira vista podemos parecer. Espero nesse sentido que Portugal possa servir de chão fértil para uma disseminação da religião por outras nações deste velho continente.

 

Saravá Umbanda,

 

Francisco de Ogum

Pai Pequeno

Terreiro de Umbanda Pai Oxalá e Mãe Iemanjá

publicado por Terreiro Pai Oxala Mae Iemanja às 17:11 | comentar
05
Jan 11

Caminhando

Caminhando...

 

Sempre que entramos num novo ano, muitos de nós, projectamos de certa forma o nosso caminho, seja em previsões, antecipações ou simples votos e promessas. Neste ano de 2011 eu desejo a todos um longo caminho! Um caminho de evolução, que espero, possa ser repleto de momentos de introspecção, ponderação e compassivo. De qualquer forma, mesmo que esse caminho se mostre mais acidentado do que à partida desejaríamos, estou certo que é o melhor caminho para o nosso crescimento. Por vezes o caminho é feito de dificuldade sem que nos apercebamos do real contributo que demos para que siga essa via... talvez essa resposta esteja numa outra vida... ou talvez não a queiramos ver nesta... ou quem sabe, estamos a ser afectados pelo todo ou seja pelo conjunto de almas com as quais partilhamos de alguma forma o caminho: família? Empresa? País? Mundo? Quem sabe?! De que forma conduzimos nossas expectativas de vida? Temos um tempo limitado em cada encarnação, para sermos inocentes, crescermos, descobrir-nos em todo o esplendor de nossa juventude, de nos entregar-mos e de crescer, produzir, etc. para além do óbvio escapa-nos por vezes o essencial: o tempo de evoluir. Como sabemos se estamos realmente a evoluir espiritualmente? Muitos caem na presunção das certezas vãs. Contudo, sabemos que temos que fazer o caminho, escolher um de entre vários e percorre-lo incessantemente. Seja qual for o caminho escolhido, deverás (digo a mim próprio) tornar-te progressivamente mais sensível ao mundo, desenvolver a tua empatia, viver e propiciar paz, procurar e difundir conhecimento, partilhar a tua consciência, fomentar a fraternidade, respeitar a diferença. Poderia continuar a indicar atributos de evolução, mas de que serviria se na maioria das vezes somos parciais na auto-análise? Tendemos a contextualizar as nossas faltas, a desculpar nossas intromissões, omissões e justificar as nossas ofensas, ou pelo menos a disfarçar o seu real alcance. Ao contrário, elevamos nossos sofrimentos ao altar da auto-piedade, colocando-nos à frente dos demais, exacerbando a falta de compreensão para com os nossos propósitos, palavras ou acções, enfim... estou certo que não devemos julgar a ninguém e duvido muito da capacidade de nos julgar a nós próprios pois invariavelmente cairemos na parcialidade. Enquanto seres viventes, estamos permanentemente limitados na consciência e na percepção e desta forma mostramos de uma forma mais autêntica o nosso âmago. Deus e os Orixás facultam-nos muitos recursos mas impõem esta limitação por certo com propósito. Na verdade, aquilo que um espírito carrega de uma vida para outra revela-se muito mais no inconsciente e no subconsciente e assim sendo, esta será a prova da autenticidade dos aprendizados a que nos propomos. Por este mesmo motivo, me envergonho de algumas exaltações, de umas tantas precipitações entre outros limites que reconheço manter, mesmo sabedor do impacto e do significado que têm no que se relaciona com o progresso espiritual. Tenho pois que instruir mais a minha mente e o meu coração, na bondade, na compaixão e na ponderação de modo a moldar melhor o meu "Eu" que se revela de quando em quando , menos do que já aconteceu em tempos, mas ainda assim muito mais do que seria de esperar por mim próprio. Não quero com isto fazer crer que nos devemos recriminar, pois cairíamos mais uma vez na auto comiseração e o que pretendemos é efectivamente prosseguir e para tal temos que perdoar as faltas cometidas, seja pelos demais seja por nós próprios sem que tal signifique uma fuga à responsabilidade! Por vezes, tendemos a  remoer acontecimentos marcantes, sejam causados por outros  sejam eles de alguma forma causados por nós e essas questões assumem ou podem assumir formas de vingança, raiva, ressentimento ou na melhor das hipóteses quando a consciência aperta, o remorso. Estes são sentimentos de extrema negatividade que acabam por atrair outros de igual magnitude. Temos que perdoar e pedir perdão, evitar a sua repetição e continuar o caminho do aprendizado. em ultima análise é errando que se aprende, se a humildade for nossa irmã e a segurarmos em nossos corações. A humildade permite-nos o aprendizado e o orgulho torna-nos estáticos, inflexíveis.  Votos para 2011?? sim.. que possamos todos continuar nesse caminho de evolução da única forma que conheço: caminhando.

 

Axé,

Francisco de Ogum

Pai Pequeno

Terreiro de Umbanda Pai Oxala Mãe Iemanjá

publicado por Terreiro Pai Oxala Mae Iemanja às 17:25 | comentar
28
Dez 10

A Felicidade em servir

Saravá,

 

Hoje decidi partilhar um texto que gosto de rever periódicamente. É um texto psicografado que encontrei há muito e que expressa de uma forma tocante o propósito maior que cada um de nós seres na carne carrega.

 

Axé a todos,

 

Francisco de Ogum

Pai Pequeno

 

Terreiro de Umbanda Pai Oxala e Mãe Iemanjá

 

passo a citar:

"A FELICIDADE EM SERVIR
A alma humana não se contenta com uma vida de acordar e dormir, trabalhar e divertir-se, comer e beber. É pelo sentimento de ser útil que ela se realiza

O que lhes faz feliz? Vocês já responderam a essa pergunta? Já, pelo menos, fizeram essa pergunta a si mesmos? Qual será o caminho da felicidade que eu suspeito que vocês ainda não encontraram plenamente na Terra, no estado de consciência em que vivem?

A busca da felicidade não consiste em ter os bens materiais de que precisam. Há pessoas abastadas, com muito dinheiro mesmo e que são infelizes. A felicidade consiste em servir e ser útil.

Vocês podem ver que quando estão fazendo algo que beneficia os outros, colhem benefícios para si mesmos. Quando recebem de volta o sorriso e o agradecimento das pessoas que auxiliam, o coração se enche de felicidade. Uma satisfação enorme preenche vocês, o sentimento de ser útil, de trocar energia, de servir. Eu me atreveria a dizer que a felicidade que vocês procuram na vida está em servir. Servir a propósitos mais elevados, servir à manutenção da vida, servir desinteressadamente deixando fluir o amor incondicional que é o alimento da vida.

As pessoas que se alistam nessas frentes voluntárias de auxílio ao próximo não fazem isso porque querem ser boazinhas ou por remorso, fazem porque descobriram o prazer de servir. Quando vocês servem, quando auxiliam alguém de livre e espontânea vontade, por uma motivação interna que os impele para isso, vocês estão deixando fluir o amor de Deus e não há nada mais graticante do que sentir-se um canal para o amor de Deus. A sensação de estar vivo, de ser útil e de fazer diferença no mundo compensa qualquer coisa.

Há muitas maneiras de servir e cada um tem a sua, cada um pode encontrar a maneira pela qual sinta-se mais vivo e participante. Há pessoas que servem as crianças, cuidando delas, ensinando-lhe as pequenas coisas da vida e brincando com elas. Há os que gostam de servir aos idosos, minorando o sofrimento e a solidão que eles sentem numa fase em que tantos sonhos ficaram para trás, em que as dores e a decadência física apagam o brilho da vida. Há os que gostam de servir em hospitais, há também os que servem nas escolas, os que ensinam todo tipo de coisas que faltam aos menos favorecidos. Há os canais que servem à humanidade na medida em que se colocam à disposição para que as informações e orientações espirituais cheguem.

A qualidade de um serviço se mede pelo tanto de amor incondicional que se irradia do coração quando estão nele. A qualidade se faz sentir também por vocês, pois quando ficam alegres, enlevados, elevados e satisfeitos, estão realizando o seu serviço com qualidade e inteireza. Não é possível sentir isso quando se serve por obrigação, por remorso ou por culpa. Para servir assim, é melhor não fazer nada, pois o seviço só reavivaria nesse caso sentimentos que vocês precisam deixar de lado. O serviço bem realizado é aquele que em primeiro lugar satisfaz e preenche quem o realiza, pois essa é a medida do quanto o ato é verdadeiro, espontâneo e natural como é o amor incondicional de Deus. Pode-se fazer uma coisa muito simples, varrer um chão, lavar uma louça, catar um papel na rua, mas se há esse sentimento, esse contentamento interior por estar servindo, então o serviço é legítimo, é real e tão nobre quanto qualquer outro aos olhos de Deus.

Filhos, a vida pode ser serviço. Serviço a vocês mesmos, às suas almas em evolução. Na medida em que passam a viver com alegria e leveza, motivados por um sentimento maior, vocês estão servindo a Deus e a si mesmos. Servir não é ser escravo, não é fazer o que os outros mandam, não é uma condenação, nem uma humilhação, nem uma obrigação. O sentido mais elevado de servir está em deixar essa energia de amor incondicional perpassar vocês e isso se manifesta de diversas formas. Não importa o que se faz, importa é o sentimento e a energia que estão sendo colocados no que se faz.

Servir: tem
ser dentro dessa palavra, ser que é o verbo afirmativo da existência, a existência que é o sinônimo de Deus e de tudo o que vocês são. Veja que na palavra servir há ser e vir, vir a ser, não é bonito? Meditem no que é vir a ser, peçam ajuda ao Eu Superior de vocês, peçam que lhes aponte o caminho do serviço em suas vidas. O serviço deve começar por si mesmos, como já disse, pelo serviço à própria alma, à propria divindade interna que deseja manifestar-se através de vocês. Quando se vive em serviço, não há cansaço, não há contrariedade, não há esmorecimento da vontade. Quanto mais se serve, mais se deseja servir, mais se deseja ampliar e perpetuar o sentimento de paz e alegria interior que advém do serviço.

Pensem nisso, no que podem servir, no que podem fazer a princípio por si mesmos, pela evolução de suas consciências, e o que podem fazer pelos outros, pela realização de Deus através dos outros. O que podem fazer pelo seu combalido planeta, pela natureza depauperada desse lindo orbe que habitam. O que podem fazer para dar um novo sentido à sua vida, para preenchê-la de momentos e satisfação. O que podem fazer para que tenham aquele sentimento de não ver o tampo passar - quando se serve, perde-se a noção do tempo. Perde-se também a noção de limites entre vocês e os outros. Há um estado de fusão, é uma coisa muito bonita e forte de para se experimentar.

Analisem a vida de vocês e vejam o quanto existe disso, em que momentos vocês se sentiram assim, e podem apostar que fazendo isso é que estarão servindo, que estarão enchendo suas vidas de significado. Disso vem a felicidade, filhos. A alma humana não se contenta apenas em trabalhar, comer, beber, dormir, divertir-se e levar a vida sem um propósito maior. Por isso é que tantos estão insatisfeitos e vazios. Até mesmo os ricos, os muito abastados, aqueles que poderiam dedicar sua vida à diversão e ao prazer - que vocês idenficam como fontes de felicidade - até eles são muitas vezes tristes e vazios. Podem aparentar segurança, autosuficiência, poder e plenitude, mas no fundo são pessoas vazias.

A vida de vocês nesse planeta está baseado no serviço a coisas externas, a objetivos exteriores. Vocês empregam energia nisso e ela se esvai, ela é só consumida e não volta para vocês. É um gasto de energia pelo canal errado, um canal que não passa pelo coração, por isso não lhes dá a sensação de preenchimento. Ricos e pobres nesse planeta chegam à conclusão do vazio em sua vida, uns porque têm tudo e ainda tudo lhes falta, porque encaram a tremenda frustração de ter se esforçado, de ter empregado a vida numa busca que não levou a nada, outros porque são privados de tudo, não puderam nem ter a chance de experimentar um pouco mais de satisfação na vida e se sentem excluídos.

Por isso, também, é que a sexualidade é tão valorizada, tão exacerbada entre vocês, ela é uma fonte de satisfação, mas uma satisfação apenas momentânea, fugaz. Vocês precisam de mais e mais experiências e alguns passam a vida em busca disso. É preciso ter cada vez mais, coisas cada vez mais ousadas, até aberrantes, para obter novas sensações. A gula é outra fonte de busca de satisfação e preenchimento, a paixão pela velocidade, o gosto pelo perigo que descarrega adrenalina e leva à euforia, as drogas, o consumismo desenfreado. Tudo isso são as buscas dos seres humanos, são formas de obterem felicidade, mas percebam que nada disso traz o sentimento de preenchimento que procuram - enquanto aquela freirinha que serve na periferia ou aquela dona de casa que emprega parte do tempo dela ajudando numa creche são pessoas felizes, radiantes, estão de bem com elas mesmas e cheias de paz.

Filhos, perguntem-se o que lhes faz feliz, vejam no fundo do coração o que têm vontade de fazer. Talvez não tenham experimentado isso ainda, assim exercitem a imaginação, imaginem-se em várias situações e vejam o sentimento que vem disso. Busquem um sentido mais elevado para suas vidas, busquem alguma coisa, dediquem-se a ela e comecem a experimentar um outro modo de vida. Deixem que o Amor de Deus flua por meio de vocês e se realizarão com isso. Isso é servir, não importa como, cada um encontra a sua vocação.


Na Luz me despeço,
Aprica

Autor:
Aprica
Canal:
Regina Giannetti"

 

publicado por Terreiro Pai Oxala Mae Iemanja às 16:41 | comentar
14
Dez 10

Balanço de fim de ano

Sarava a todos os irmãos , frequentadores do Terreiro, Umbandistas espalhados pelo mundo fora, enfim a todos os internautas!

 

Eis que chegámos a Dezembro e após havermos louvado mais uma vez em nosso Terreiro na Assafora, mãe Iansã e mãe Oxum, nos preparamos para louvar no dia 18.12.2010 Pai Oxalá e Senhor Omulú, terminando este ano o nosso calendário litúrgico, disponibilizando duas semanas de descanso ao corpo mediúnico da casa.  Em jeito de balanço de fim de ano, gostaria de compartilhar convosco o que foi este ano de 2010 no Terreiro Pai Oxalá Mãe Iemanja. Em primeiro lugar recordo que este foi o ano VII desta casa, ano abençoado por pai Ogum com sua força inigualável e que comemorámos em simultâneo no dia 24 de Abril com a Louvação ao Orixá, já que foi nesta data que abrimos pela primeira vez as portas ao público. Foi um ano em que foram Iniciados mais alguns filhos no Santo e que vimos partir outros  aos quais desejamos as maiores felicidades em seus novos desafios. Enfim, os caminhos do destino cruzam-se, entrecruzam-se e separam-se impulsionados na vontade de cada um ou sob a vontade maior de nossos Orixás. Mais uma vez crescemos e desta vez levámos a cabo um projecto que já acarinhávamos há muito: a constituição de uma entidade de Direito privado dedicada à prática Religiosa, devidamente reconhecida pelas entidades oficiais desta nação! Este acto oficial viria a ser consumado no inicio de Novembro e nasceu assim a ATUPOMI- Associação de cariz religioso sem fins lucrativos. Conseguimos desta forma manter a matriz do nosso projecto, assente nas premissas básicas da Umbanda e na vontade expressa da Coroa Espiritual desta Casa: assistência espiritual caritativa e desinteressada! Pudemos ainda realizar algumas obras e reformas nos espaços interiores de modo a termos mais espaço para acomodar mais consulentes e por outro lado uma maior operacionalidade nos espaços de serviço.

 

Em termos litúrgicos foi um ano em que levámos a bom porto 18 sessões de Pretos-Velhos, 12 sessões de Caboclos, 12 Sessões de Descarrego, 9 sessões de Energização , 9 de Energização e 10 sessões comemorativas em que louvámos Oxalá, Iemanjá, Ogum, Xangô, Oxossi, Omulu-Obaloaê, Oxum, Iansã, Nanã, os Pretos-Velhos, as Crianças, os Exus. Contámos ainda com 3 dias dedicados à Iniciação e cerimoniais de iniciação de filhos de Santo. Tudo isto aos Sábados, dias que começamos invariavelmente às 10h com a limpeza e harmonização dos espaços, oferendas e lmantações, distribuição de senhas de consulta, organização de consultas e Trabalhos de Linhas, preparação de banhos e defumações, etc, etc, etc. As Giras decorrem nos horários previstos, 2 em cada Sábado (Caboclos seguida de Descarrego ou Energização seguida de Pretos Velhos ou ainda  Desenvolvimento seguido de Pretos-Velhos),contudo há sempre que preparar o Terreiro para uma nova semana, fazer marcações de trabalhos , descarregos e energizações , trabalhos de secretaria, arrumos e tudo o que implica um espaço como este, pelo que os nossos Sábados se estendam quase sempre pela noite dentro, numa media diária de 14 horas! Grosso modo dedicámos 896 horas cada um de nós neste Terreiro, sendo que todos os trabalhos são executados pelos médiuns e Cambonos do Terreiro de forma altruísta sem receber qualquer remuneração pelo mesmo, tendo ainda  os membros e associados desta casa que contribuir com uma quota mensal obrigatória para subsistência da casa.

 

Paralelamente iniciámos uma colaboração frutuosa com a Faculdade de Teologia Umbandista de São Paulo, entidade oficialmente reconhecida pelo Ministério da Educação do Brasil que forma Bacharéis em Teologia e que nos permitiu a realização neste espaço em horário e dias próprios para o efeito, de cursos de extensão universitária abertos ao público em Geral. Esta oportunidade decorreu da presença do Pai Fernando de Oxalá,  nosso líder Espiritual  no 2º Congresso de Umbanda no Brasil e sob convite pessoal de Pai Rivas Neto. Temos desta forma a certeza de estar a colaborar para a evolução da Umbanda em terras Lusas e esperamos poder continuar a oferecer mais cursos e mais conhecimento a todos os que nos procuram.

 

Como curiosidade realço que temos um Sábado por mês de descanso que muitos de nós aproveitamos para o convívio entre irmãos de Santo pois a Umbanda é um modo  de vida, uma causa e um foco de luz e felicidade em nossas vidas! Estou certo poder falar em nome de todos ao referir que não nos é mais possível imaginar a vida sem nossas queridas Entidades e sem o calor do seu amor! Deixo aqui um abraço sentido a todos os filhos e irmãos que constituem a corrente mediúnica da Casa bem como aqueles que se sentam do lado de fora das cordas que separam o Congá e que já vão fazendo parte da família, muitos deles presentes todos os sábados mesmo sem solicitarem consulta com as entidades, mas tão somente para poderem partilhar do Axé.

 

A todos, os votos de Paz, amor e saúde! Axé e prosperidade em nossas vidas.

 

Francisco de Ogum

Pai Pequeno do

Terreiro de Umbanda Pai Oxala Mãe Iemanjá

publicado por Terreiro Pai Oxala Mae Iemanja às 19:41 | comentar
14
Set 10

Caridade no Terreiro Pai Oxala e mãe Iemanjá

Muitas vezes nos perguntam se o nosso Terreiro cobra por consultas ou trabalhos e a resposta é invariavelmente não! Para surpresa e espanto de muitos. Não temos nada contra aqueles que cobram pelos serviços prestados desde que trabalhem com seriedade; no entanto este terreiro foi aberto na condição de ser uma casa que colocasse ao alcance de todos, inclusive os mais desfavorecidos, o auxílio espiritual! Condição esta colocada pela Coroa Espiritual da Casa.Para esclarecimento daqueles que o pretendam saber transcrevo em resumo a forma como trabalhamos e nos financiamos: As consultas são em numero limitado e num máximo de 7 por médium por sessão de consulta sendo solicitado 1 euro de contribuição facultativa para auxilio nas despesas do Terreiro, inclusive o café, o chá e água que colocamos à descrição! Existe uma caixa de donativos onde todos os que possam e desejam contribuir o façam com total anonimato.Frequentemente são facultados banhos de ervas e confeccionados os ingredientes para os trabalhos que são trazidos pelos consulentes (cada um adquire os materiais indicados em consulta previa com a entidade e traz ao terreiro para os trabalhos necessários). As despesas fixas da casa (renda, agua, luz, gás) são pagas com base na contribuição mensal de 35€ que cada membro do corpo mediunico (mediuns e cambonos) além de alguns membros honorários pagam e claro está nos donativos. Acresce que nem sempre os membros do corpo mediunico podem pagar por dificuldades momentâneas ou mais prolongadas, sendo que nestes casos e com autorização da hierarquia do Terreiro, costumam ser dispensados de pagamento. Também a hierarquia da casa paga a sua mensalidade tal como qualquer outro membro. Desta forma, temos podido estar de portas abertas desde 2003! É um facto que temos um Terreiro humilde e por vezes pode faltar algum conforto de ordem material, mas esta é a casa que todos nós decidimos abraçar, precisamente porque nela se encontra o valor da Caridade e assistencialidade para com a Sociedade. Sem descriminar. Esperamos poder honrar sempre a Oxalá e a Iemanjá a quem devotamos o trabalho desta casa, aos demais Orixás, à Coroa Espiritual desta casa e a todas as entidades espirituais que sempre nos têm auxiliado.

 

Francisco de Ogum

Pai pequeno

Terreiro de umbanda pai Oxalá e mãe Iemanjá

publicado por Terreiro Pai Oxala Mae Iemanja às 17:42 | comentar | ver comentários (1)
10
Set 10

Borboletas e Traças

Saravá a todos,

 

Venho falar hoje da autenticidade, do amor e  da dedicação que alguns colocam naquela que é ou devia ser a nossa querida Umbanda. Sendo esta religião, uma forma inteligente de entrar em "contacto" se assim posso dizer, com o Astral Superior; se efectivamente acreditamos numa organização superior, em Entidades Espirituais de Luz, na reencarnação e na imperiosa evolução moral de todos os que por cá andam encarnados, então porque continuamos a assistir a beatos de amor fácil no verbo, na língua e nos gestos e de tão efémera perseverança na persecução dos seus caminhos? Não que seja um exclusivo da Umbanda, longe disso, pois povoam todas as religiões desde sempre. No caminho que percorro já há alguns anos ao lado de Pai Fernando, tenho-me deparado por vezes com indivíduos que cantam a Umbanda, que se emocionam a cada verso de um ponto cantado, que parecem beber as palavras de nossos Pais-Velhos com aparente devoção. No entanto, muitos deles apenas parecem querer alcançar um estado de Graça, que imaginam poder possuir! Crêem que talvez possam atingir a iluminação em vida e que desta forma possam viver sem dificuldades, sem negações, sem adversidades e que de alguma forma os Orixás se irão enternecer pelas suas qualidades para os favorecer acima de tudo e de todos! A realidade é bem distinta! É verdade que através de nossas queridas Entidades Espirituais, podemos atingir graças e bênçãos difíceis de imaginar e também é verdade que nos são indicados caminhos de melhoramento pessoal, caminhos esses que tendem a ser negligenciados... como se pudéssemos destacar do nosso Karma as partes que não nos interessam... como se de cupões de desconto se tratassem! Alguns devem pensar que podem apenas receber as bênçãos dos céus sem nunca se interrogarem que falhas possuem que possam impedir o alcance de suas reivindicações! É incrível que hoje em dia ninguém implore ou rogue o que seja... parece que estamos produzindo uma nação de mimados reivindicadores que se acham na posse de todos os direitos. Estas posturas, são por vezes disfarçadas por enganosas lamentações e vitimizações! Vitimizando-se dos seu infortúnio e de seu azar, o ser encarnado nega a si mesmo a realidade! Precisa de trabalhar para melhorar a sua forma de encarar a vida, o seu semelhante  e a si próprio! Mas voltemos ao cerne da questão:O que fazem estas pessoas num Centro, Terreiro ou Tenda de Umbanda? Ouvindo repetidamente as mensagens de seus Pais no Santo, das Entidades e lendo maravilhosos textos,  sobre o necessário espírito de missão, sobre o doar-se ao próximo e todas as qualidades que farão de nós certamente melhores como cidadãos, como almas em evolução e certamente mais próximos de nossas Entidades, então o que faz com que alguns destes filhos, acabem por participar em pensamentos, palavras e actos de tão recorrente desgraça que assola a nossa sociedade? refiro-me ao escárnio, à intriga, à inveja e por vezes ao orgulho! Sentimentos baixos, pensamentos negativos que não são mais do que auto-retratos daqueles que os carregam. Sem frontalidade, sem coragem nem capacidade de pensar com verdadeiro desprendimento de suas razões egoísticas, deixam por vezes cair a máscara.  Conseguem provocar em mim, confesso, alguns momentos de tristeza, pois sou humano e originam ainda em meu espírito alguma agitação, a ingratidão e o carácter vil de quem ousa conspurcar solo sagrado de forma tão infame ao invés de se dedicarem a servir com amor e humildade. Uma vez digeridas e assimiladas as desgraças humanas que teimam em persistir mesmo naqueles que parecem querer de facto, abraçar uma causa, com amor e dedicação, resta-nos olhar para os que realmente continuam serenos em sua jornada, trabalhando arduamente, labutando a cada dia nas suas vidas privadas e doando de si à causa, ao próximo, ao seu Terreiro e aos seus irmãos. É a visão destes que ao longo dos anos permanecem fieis, amorosos e sempre rejuvenescidos nos votos e na firmeza com que enfrentam as batalhas, que regressa efectivamente a minha serenidade! Agradeço pois a todos eles, que sabem verdadeiramente quem são! Agradeço por partilharem a mesma visão, por não se deixarem abater pela vida , pela maledicência nem pelos apelos do ego. É óbvio que aqueles que são médiuns e recebem as suas entidades, saberão como os nossos Pretos-Velhos, Caboclos, Exus, Crianças e outros nos ajudam e como nos deixam leves quando finalmente sobem até à Aruanda! Por tudo aquilo que tenho vivido nestes 7 anos de porta aberta, ajudando o Pai Fernando a construir uma casa de Caridade, que cresce paulatinamente e que tem pilares bem assentes, fundos e belos: As nossas amadas Entidades e os nossos mais leais filhos de Santo! Quando penso realmente nesta bênção, então revejo como somos apenas uma Luz que Brilha na escuridão da vida na Terra! Tal como as traças que são atraídas à luz e chocam na lâmpada que as ilumina, assim somos nós enquanto Casa de Luz, atraindo , tal como tantas outras casas tenho a certeza, as traças da vida! Parecem Borboletas, mas são apenas traças em busca da luz e na impossibilidade de entender a origem da Luz, lançam-se furiosas contra o seu âmago, tentando quem sabe roubar essa fonte de calor! A luz verdadeira meus queridos, aquela que tudo ilumina e perdura no escuro, essa luz não pode ser conseguida numa qualquer fonte! Ela tem que habitar no nosso coração! Tem que se renovar a cada dia! Só esta é se tornará infindável... só esta poderá continuar para além de tudo e da própria vida. Por isso, lamento as infelizes traças que vivem entre nós sem nunca conseguirem realmente atingir a sua própria luz. O mundo vive em profundo desequilíbrio e esse desequilíbrio habita em muitos dos que procuram as igrejas, os templos e os terreiros e não podemos esquecer que todos estamos sujeitos a todo o instante às variáveis que tornam tão frágil a a nossa vida como encarnados. Orai e vigiai, mas sobretudo vigiai-vos a vós próprios e não ao vizinho já que somos responsáveis pelos nossos actos e não pelos dos outros.

 

 

Francisco d'Ogum

Pai Pequeno


Terreiro Pai Oxala e Mãe Iemanja


publicado por Terreiro Pai Oxala Mae Iemanja às 23:48 | comentar
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10
Ago 10

O trigo e o joio

Quem estiver atento à astrologia e seus trânsitos planetários, certamente compreenderá que obedecemos a ciclos, períodos de influência forte ou fraca que evidenciam alguns aspectos de nossas vidas e enfraquecem outros. Em cada ciclo que se sucede mudam os aspectos e as influencias e assim vamos sendo impulsionados nas nossas sensações e ímpetos de pensamento e discernimento, no fundo afectando a forma como percebemos o mundo, os outros e a nós próprios a cada momento. Não será pois difícil entender que as pessoas se movem por vezes não tanto baseados em convicções e certezas mas sim em impressões e sensações, especialmente se as personalidade desses indivíduos o permitir, ou por vezes  a falta desta. O Karma individual e acima deste o Karma colectivo de uma família, grupo ou nação, pode induzir em cada um o sentimento de desintegração ou inadequação. Por exemplo, sob determinadas influências e estando mais motivados pelos nossos próprios problemas e na forma como nos vemos, podemos depreender das palavras de alguém uma crítica que não nos era dirigida! Se a isso juntarmos uma falta de convicção ou por outras palavras, se duvidarmos de quem profere determinadas palavras, então estão lançadas as condições para um impacto no âmago do individuo! Como vai ser digerido este fenómeno? Depende de sua personalidade, mas também das pressões a que está sujeito, sejam elas originadas por impressões alheias ou por precipitação induzida no momento "astral" que o mesmo se encontra! Efectivamente a vida é uma grande viajem e ao contrário do que pensam  muitos, não somos o centro do universo! Na viajem que empreendemos depressa nos queremos certificar que o nosso caminho está livre e que podemos atingir os nossos fins, esquecendo-nos que estamos limitados pela estrada, caminho de ferro, outro qualquer... não podemos fazer nada se houver um descarrilamento!A carta astral de um individuo pode apontar-lhe um futuro brilhante mas se ou seu país entrar numa guerra inesperada, o individuo ficará sujeito às circunstâncias desse mesma guerra, podendo participar nela, adiando o seu propósito individual, pode ficar ferido ou até falecer! Não existirá certamente um motivo conspirativo ou demanda espiritual no seu cerne, nem tão pouco que alguém  por artes de algum acto de magia negra o tenha levado a esse facto! Da mesma forma, na nossa carruagem partilhamos muitas vezes o espaço com companheiros que a um determinado momento podemos chamar de amigos ou colegas por exemplo, mas inesperadamente chega o momento de um deles se apear por ter de seguir um caminho diferente... a forma como os nossos caminhos divergem podem ser diversas: transferência de emprego, casa, emigração ou até discussões e desacertos! A divergência e convergência de caminhos é constante. Pois é... havendo a pressão e o impulso superior de mudança e divergência, facilmente cedemos nalguns casos à precipitação de vontades contidas ou impulsos mal controlados e acabamos por seguir um caminho que já estava previamente determinado, mas que poderíamos ter seguido de uma forma diferente. A forma como atingimos os nossos objectivos, está muitas vezes à nossa descrição, ou seja pode ser de nossa escolha se o fazemos desta ou daquela forma. A maturidade ajuda-nos, no sentido em que acumulamos experiências que podem ajudar-nos a antecipar alguns comportamentos e assim podermos agir com maior discernimento e tranquilidade; essa maturidade depende também da vontade do individuo em melhorar-se a si mesmo, ter efectivamente a vontade de ser mais amoroso, colaborante, verdadeiro, fraterno e humilde. Se não existir a vontade de melhorar-se a si mesmo, não existirá maturidade nem progresso espiritual! Vejo e revejo muitas vezes os mesmos comportamentos repetitivos e cíclicos daqueles que se interessam com paixão e entrega aparente as grandes causas para depois saírem envoltos em atribulação e desapontamento, não enxergando todavia que buscam algo que nem eles sabem definir e que por algum motivo não o encontraram; qual paixão desenfreada, morre após o encanto inicial... no entanto, o individuo tenda justificar-se a si próprio pelo ocorrido e frequentemente vemos esses indivíduos a urdir teias de traição, jogos de ciúme e protagonismo para que de alguma forma tornem insustentável a continuidade da relação existente colocando-se assim a inevitabilidade de uma saída justificada. Não seria preferível assumir que não era o local ou a hora. Não era o que buscava e talvez não exista o que procura, pois não sabe o que pretende? Claro que sim. A divergência seria assim feita de uma forma mais serena. Por vezes o baixo astral não está no centro destes acontecimentos, mas tão somente à volta deles. Passo a explicar: O vampirismo de energias provenientes da desarmonia e da discussão é bem real e ocorre sempre que as vítimas se coloquem a jeito. Devemos separar realmente o trigo do joio, dentro de nós! Centrar-mo-nos e percebermos o que realmente nos motiva e agir em conformidade. Dizer não à intriga, à ambiguidade, à dissimulação e à vitimização! Sejamos corajosos nas nossas dúvidas e sérios nos propósitos, assumidos naquilo que somos e no que não sabemos de todo. Chega de hipocrisia que mina as relações e os indivíduos! Construamos uma sociedade nova! Hoje! Agora! É urgente.

 

Francisco de Ogum

Pai pequeno

Terreiro de Pai Oxala e Mãe Iemanja

publicado por galileu às 11:40 | comentar
02
Ago 10

Saluba Nanã

Retomo um post de 2009 sobre Nanã:

 

... vamos louvar este orixá em nosso Terreiro. Nanã, a mais velha das iabás, senhora das lagoas, lagos e charcos. Nanã é ela própria a lei da transmutação, depuração, decantação não só das águas mas sobretudo das almas.Para compreender um pouco melhor os Orixás temos que atentar no facto de eles serem matrizes de criação do mundo fisico, astral e espiritual; encontramos portanto essa matriz no mundo mineral, nos reinos vegatal e animal, nas leis físicas e químicas que regem os organismos simples ou complexos tanto no macro como no microcosmos e por outro lado esta matriz rege de igual modo o mundo espiritual (o mundo espiritual precede o fisico) . Assim podemos atentar naquilo que é a decantação das águas no mundo natural em que por acção do tempo e da gravidade, se depositam as impurezas no fundo das lagoas permitindo que  estas recuperem a pureza à superfície;  movendo-nos da natureza para o ser humano vemos  a sua acção se faz sentir nos processos que determinam o fim de determinados ciclos como por exemplo na menopausa- o fim da fertilidade na mulher (trabalhando com Oxum), ou então no campo emocional  decantando os seres emocionados e preparando-os para uma nova "vida", já mais equilibrada uma vez que este é um dos campos principais de actuação de Nanã: a maturidade emocional.

Por vezes é necessário parar, pensar , deixar passar determinados tumultos internos para podermos compreender o que está a acontecer, para podermos aceitar determinados factos. Por fim, aquele que é o mais delicado dos reinos de actuação deste Orixá.
Falamos pois dos espíritos que fraquejaram durante sua jornada carnal e se entregaram à vivenciação dos seus vícios emocionais, estes serão entregues por Omulu no momento de sua passagem e cabe a Nanã a sua preparação, adormecendo-os  e  libertando-os assim do emocional para uma nova encarnação.

Reverenciemos pois Nanã com o respeito e o apreço que merece, rogando a mãe Nanã que nos ajude a amadurecer, a aceitar o envelhecimento como parte de um prrocesso que conduz a libertação do espirito daquelas que são as amarras da carne, os prazeres e os vícios que nos cegam e nos querem tornar imortais na carne quando deveríamos almejar essa imortalidade no campo onde ela tem efectivamente lugar, ou seja no campo espiritual. Pedimos a Nanã que nos ajude a entender que a vida que agora vivemos deve contribuir para a elevação de nossos sentimentos e de nossa mente de modo a alcançarmos a tranquilidade emocional e a elevação espiritual necessárias para a nossa propria evolução

Saluba Nanã!

Francisco de Ogum

Pai Pequeno no Terreiro Pai Oxalá e Mãe Iemanjá

publicado por galileu às 21:50 | comentar | ver comentários (1)

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